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Maior indústria moçambicana só opera até março por não ter garantias de eletricidade

Maior indústria moçambicana só opera até março por não ter garantias de eletricidade

A Mozal, maior indústria moçambicana, anunciou hoje que vai cortar no investimento e dispensar empreiteiros contratados, mantendo apenas a operação até março de 2026, quando termina o contrato de fornecimento de eletricidade, alegando não ter garantias de continuidade.

Lusa /

Numa informação de hoje ao mercado, consultada pela Lusa, o grupo australiano South32, que lidera aquela fábrica de alumínio nos arredores de Maputo, diz que tem dialogado com o Governo moçambicano, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a sul-africana Eskom - que compra a eletricidade da HCB e a vende à Mozal - "para garantir o fornecimento de eletricidade suficiente e acessível" para "permitir operar para além de março de 2026, quando o atual contrato [de fornecimento de energia] expira".

Contudo, os compromissos até agora assumidos "não dão à Mozal" a "garantia de ter eletricidade suficiente e acessível para além de março de 2026".

"Como resultado, limitaremos o investimento na Mozal, interrompendo o revestimento de vasos e desativando os empreiteiros associados a partir deste mês", lê-se na informação, que antevê que a fábrica seja colocada em regime de "manutenção" no final do atual contrato.

A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique e tem um peso estimado de cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

A informação acrescenta que a produção da Mozal no ano fiscal de 2026 deverá ser de aproximadamente 240 mil toneladas, "refletindo o menor número de cubas em funcionamento", face à interrupção imediata do processo de revestimento das cubas e porque "as operações apenas se prolongarão até março".

Na mesma informação, em que assume "como o cenário mais provável" que a Mozal "opere até ao final do atual contrato de fornecimento de eletricidade e seja colocada em manutenção", o grupo reconhece já "uma perda por imparidade" de 372 milhões de dólares (318,3 milhões de euros).

O Governo moçambicano garantiu em 15 de julho que o fornecimento de energia à Mozal não está em causa, mas que pretende que passe a ser garantida pela estatal Eletricidade de Moçambique (EDM).

"É nosso interesse que a Mozal continue a ter energia suficiente (...) É interesse também do Governo que quem presta, quem fornece energia, passe a ser a EDM", disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, acrescentando: "Hoje a contratação é feita de forma direta e o que se pretende é introduzir o `player`, que é a EDM, que é a entidade responsável pela comercialização da energia produzida pela nossa hidroelétrica [HCB]. E há aqui elementos que têm que ser fechados para o efeito".

O fornecimento de eletricidade à Mozal é feito através da sul-africana Eskom, que por sua vez compra energia à HCB - 66% do total produzida em 2024 -, que funciona no centro de Moçambique, mas o Governo moçambicano pretende reverter este cenário.

O Presidente moçambicano confirmou em 23 de junho que vai avançar em 2030 o processo de reversão energética, com o fim do contrato de fornecimento de eletricidade produzida em Moçambique à Eskom, em vigor desde 1979.

"Neste ano de 2025, além de implementar projetos de reabilitação, a HCB, olhando para a reversão energética prevista para 2030 - Moçambique passa a controlar a fonte de geração de energia com o fim do contrato com a Eskom -, deve consolidar o seu papel no desenvolvimento energético de Moçambique", disse Daniel Chapo, confirmando a intenção já sinalizada no Governo anterior.

A Lusa noticiou em fevereiro de 2024 que o Governo moçambicano pretende "repatriar" a partir de 2030, para uso doméstico, a eletricidade que exporta da HCB para a África do Sul desde 1979, conforme consta da Estratégia para Transição Energética em Moçambique até 2050.

No documento assume-se esse objetivo para 2030: "A principal prioridade hídrica de curto prazo é a repatriamento da eletricidade da HCB, atualmente exportada para a África do Sul (8-10 TWh) [TeraWatt-hora], bem como a adição de 2 GW [GigaWatt] de nova capacidade hidroelétrica nacional até 2031".

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