Maioria da banca "solvente e viável", não necessita de capital adicional
Madrid, 28 set (Lusa) -- A maior parte do sistema bancário espanhol -- 62 por cento da carteira de crédito - é "solvente e viável" e não regista necessidades adicionais de capital, segundo os resultados dos testes de esforço realizados pela consultora Oliver Wyman.
Sete grupos bancários espanhóis -- Santander, BBVA, La Caixa, Sadabell, Kuxabank, Bankinter e Unicaja -- passaram nos testes de esforço realizados pela consultora Oliver Wyman e não necessitam de capital adicional.
Em concreto e no cenário mais adverso, o Santander teria que captar 25.297 milhões de euros; o BBVA, 11.183 milhões; o Caixabank-Banca Cívica 5.720 milhões; Kutxabank, 2.188 milhões; Sabadell-CAM, 915 milhões; Bankinter, 399 milhões e Unicaja-CEISS, 128 milhões de euros.
Estas entidades, que integram o denominado `grupo zero` da banca espanhola, não só não necessitam de capital adicional como contam com excedente, mesmo no pior dos contextos possíveis testado pela consultora, para se capitalizarem.
Estes grupos bancários representam mais de 62 por cento da carteira de crédito analisada e "não têm necessidades adicionais de capital", segundo um comunicado conjunto do Ministério da Economia e do Banco de Espanha.
Para os restantes, explica o documento, os consultores "identificaram necessidades adicionais de capital" que se somam às já identificadas a 31 de dezembro e que ascendem a 59.300 milhões de euros, sem ter em conta os processos de integração em curso ou os ativos fiscais diferidos.
Quando são considerados esses processos de fusão e os efeitos fiscais a quantidade necessária de fundos baixa para 53.745 milhões de euros.
As entidades já participadas pelo Estado, através do Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB), são as que necessitam da maior fatia de ajuda pública, num total de 46.206 milhões de euros.
O Bankia lidera a lista das necessidades de ajuda pública, com 24.743 milhões de euros, seguindo-se a Catalunya Caixa (10.825 milhões), a Novagalicia (7.176 milhões) e o Banco de Valência (3.462 milhões).
Igualmente a necessitar de fundos estão três entidades não participadas pelo FROB, nomeadamente o Banco Popular (3.223 milhões de euros), o BMN (2.208 milhões de euros) e o grupo Ibercaja-Caja-Liberbank (2.108 milhões de euros).
O comunicado refere que os 14 principais grupos bancários espanhóis participaram no estudo de esforço, representando cerca de 90 por cento dos ativos do sistema bancário espanhol.
Os resultados confirmam, refere o texto, que "o setor bancário espanhol é maioritariamente solvente e viável, inclusive num contexto macroeconómico extremamente adverso e altamente improvável".
"As necessidades de capital identificadas são o resultado de uma análise muito ampla e detalhada do valor das carteiras de crédito e de ativos adjudicados, bem como da capacidade das entidades para absorver perdas nos próximos três anos num cenário muito adverso".
A nota conjunta adverte que as necessidades de capital não representam necessariamente o valor final de ajuda pública à banca, valor que pode ser inferior e que será determinado "uma vez sejam consideradas as medidas previstas nos planos de recapitalização a apresentar pelas entidades ao Banco de Espanha em outubro".