Maioria dos bancos espanhóis no "lixo" depois de descida de `rating` pela Moody`s

Maioria dos bancos espanhóis no "lixo" depois de descida de `rating` pela Moody`s

Madrid, 25 jun (Lusa) - A agência de notação Moody`s deixou hoje praticamente todo o setor bancário espanhol, à exceção de seis bancos, em níveis de lixo, depois de uma redução massiva dos `ratings`, entre um e quatro níveis ao setor espanhol.

Lusa /

Depois da descida de hoje, apenas o Banco Santander permanece com um nível acima do `rating` da dívida soberana espanhola (atualmente de Baa3), tendo ainda assim perdido dois níveis (de A3 para Baa2).

Os outros cinco bancos ainda acima do nível de lixo estão, no entanto, com a mesma nota de Espanha (Baa3), ainda assim a apenas um nível do escalão considerado "lixo".

O BBVA e o CaixaBank foram, entre os grandes, os mais penalizados, tendo perdido três níveis, de A3 para Baa3, enquanto a Caja Rural de Navarra e a Banca March perderam dois níveis, de Baa1 para Baa3. A Caja Laboral perdeu um nível, de Baa2 para Baa3.

À exceção deste grupo de bancos, todos os outros avaliados hoje pela Moody`s ficaram no nível de "lixo", sendo de destacar a perda de quatro níveis em vários bancos, nomeadamente o Popular, Bankoa e Unicaja (A3 para Ba1), a Ibercaja (Baa1 para Ba2) e o Banco Ceiss (de Baa3 para B1).

Com descidas de três níveis ficaram o Banco Cooperativo Espanhol, Banco Sabadell e Kutxabank (Baa1 para Ba1), o Catalunya Banc e o NCG Banco (de Ba1 para B1) e o Banco de Valência (Ba2 para B3).

As descidas de dois níveis afetaram o Bankinter (Baa2 para Ba1), a Caja Rural de Granada e o Bankia (Baa3 para Ba2), a Cajamar Caja Rural (Ba2 para Ba3), a Ahorro Corporacion Financiera (Ba1 para Ba3) e o Dexia Sabadell (de Ba3 para B2).

O Liberbank perdeu um nível, de Ba1 para Ba2, enquanto o Banco Pastor e o Banco Cam mantiveram o nível de "lixo" que tinham (Ba1), com a Lico Leasing a manter também o seu nível de "lixo" de Ba3.

O comunicado com a decisão da Moody`s só foi divulgado ao final da noite, hora local de Madrid, depois do fecho de Wall Street, mas notícias avançadas por fontes do próprio setor bancário, hoje, já deixavam antever o que alguma imprensa diz ser "um golpe histórico" à banca espanhola.

Em parte por essa previsão de descida dos `ratings`, o principal indicador da bolsa espanhola, o Ibex 35, fechou a negociação hoje com a sua segunda maior descida do ano.

Para justificar a sua decisão, a Moody`s explica que as descidas ocorreram depois do `rating` de Espanha ter sido deixado, há duas semanas, a um nível de "lixo" (Baa3), refletindo a descida na avaliação das capacidades de crédito dos bancos.

Na sua análise, a Moody`s refere-se à situação da dívida soberana espanhola que "não só afeta a capacidade do Governo de apoiar os bancos, mas pesa nos perfis de crédito dos próprios bancos".

Levou ainda à descida a "expectativa de que a exposição dos bancos ao setor imobiliário levará a perdas mais elevadas, o que poderá aumentar a possibilidade de que estes bancos necessitem de apoio externo".

Apesar disso, a Moody`s considera positivas as medidas de reforma do sistema financeiro implementadas pelo Governo espanhol e explica que analisará o processo de recapitalização do setor quando seja conhecido o valor total, o calendário e a forma dos fundos da assistência europeia pedida hoje por Espanha.

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