Mais de 50 explorações suinícolas sem energia elétrica em Leiria

Mais de 50 explorações suinícolas sem energia elétrica em Leiria

Mais de 50 explorações suinícolas da zona norte do concelho de Leiria estavam hoje à tarde ainda sem energia elétrica e a ser abastecidas por geradores, lamentou o presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores.

Lusa /

David Neves, que também preside a Associação de Suinicultores de Leiria, disse à agência Lusa que a reposição da energia elétrica está a ser mais difícil de concretizar nessa parte do concelho, onde os suinicultores estão "a dar as condições possíveis aos animais para que morram o mínimo possível".

A solução tem passado pelo recurso a geradores, que implicam "um custo brutal" de, "em média, mais de 500 euros por dia a cada exploração", entre aluguer e combustível, frisou.

Segundo David Neves, apesar dos custos elevados, esta "tem sido a única forma de conseguir abastecer os animais de água e alimentos".

Na sua opinião, a E-Redes deveria fazer um ponto de situação ao final de cada dia, explicando o trabalho já feito e o previsto para o dia seguinte, de forma que os produtores pudessem gerir os alugueres dos geradores e garantir o combustível necessário.

O responsável disse não ser possível, para já, fazer um balanço do prejuízo, porque "as comunicações continuam muito difíceis para o norte do concelho de Leiria".

"Algumas pessoas estão a deslocar-se à sede da associação de Leiria até para fazer o registo das ocorrências", contou, admitindo que os prejuízos atinjam "largas dezenas de milhões de euros".

O presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores afirmou que "a situação mais crítica é mesmo no concelho de Leiria" e que, "na zona de Lisboa e Vale do Tejo, mais a Sul do concelho de Leiria, também há algumas dificuldades, com muitas explorações danificadas, mas algumas já com energia".

Questionado sobre as linhas de apoio anunciadas na semana passada pelo ministro da Agricultura e Pescas, David Neves considerou que, "nesta primeira fase, como resposta imediata, são positivas", mas "para poderem ser eficazes têm de ser rápidas".

"Sabemos que até à data de hoje já foram publicadas algumas portarias. Algumas linhas ainda não estão regulamentadas, aguardam a regulamentação. Se não houver celeridade neste processo, pomos em causa uma parte significativa da produção nacional", avisou.

O responsável lembrou que a região tem essencialmente pequenas e médias explorações e, "no contexto de uma catástrofe nunca vista, é importante que tenham condições para fazer face às necessidades do momento", porque "há um acréscimo substancial de custos".

Uma situação que considera preocupante tem a ver com a necessidade urgente de as linhas relacionadas com a reconstrução das unidades ficarem disponíveis.

"As estruturas de cobertura das explorações sofreram muito e não existe a possibilidade de imediatamente satisfazer as necessidades. As pessoas têm de fazer encomendas às empresas, que legitimamente lhes exigem o pagamento antecipado", explicou, frisando que se trata de "milhares de euros por cada exploração".

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