Maltibérica indexa preços de cevada comprada em Portugal ao mercado internacional
A Maltibérica vai alterar os contratos com os produtores portugueses para fornecimento de cevada para fabricar malte, passando o preço a estar indexado aos valores praticados no mercado internacional, onde as cotações dispararam nos últimos meses.
O administrador executivo da Maltibérica, Tiago Brandão, explicou à agência Lusa que, até agora, os contratos eram realizados com base num preço estimado para a cevada, mas com a evolução no mercado internacional foi necessário propor aos produtores uma nova definição.
Até 2005/06, os preços rondavam 130 a 140 euros por tonelada de cevada, no final de Outubro, quando acabou a campanha 2006/07 estavam nos 220 euros a tonelada e actualmente, cerca de 15 dias depois, já atingem cerca de 220 euros, como especificou Tiago Brandão.
Por isso, o administrador executivo da Maltibérica adianta que os contratos para este ano e para o próximo "têm de repercutir o aumento do preço registado no mercado dos cereais" que deverá levar a uma subida de quatro a cinco milhões de euros na facturação da empresa em 2008.
Este ano, o volume de negócios resultante da venda da matéria-prima malte deverá ser de 13,7 milhões de euros.
Outra alteração relaciona-se com a contratualização para dois ou três anos e não numa base anual, como era até agora.
O objectivo das mudanças nos contratos com os produtores de cevada é integrar algumas inovações relacionadas com a sustentabilidade da fileira, mas também da produção agrícola, por si, referiu Tiago Brandão.
"Face à diferente utilização que tem sido dada aos cereais e ao consequente aumento da concorrência, é importante clarificar e sensibilizar os produtores para a importância de manter as boas práticas de produção" na cevada que será usada para a obtenção de malte, considera.
E este será um dos temas a abordar no 5º encontro dos produtores com a Maltibérica, que se realiza na quinta-feira, onde serão focadas as medidas a introduzir na relação entre as duas partes para enfrentar a situação.
A Maltibérica acompanha todo o processo de produção de cevada disponibilizando apoio técnico aos agricultores e permitindo-lhes usufruir das inovações que vão conseguido através dos seus trabalhos de investigação.
"Com a qualidade apresentada, o suporte técnico e científico recebido e os novos tipos de cevada introduzidos, que, por exemplo, permitem o aumento da produtividade, é possível que a cevada portuguesa passe à ´primeira divisão´a nível europeu", defendeu Tiago Brandão.
No encontro com os produtores será analisada a produção de cevada e a relação contratual com a Maltibérica numa perspectiva de negócio, analisadas as formas de apoio técnico e as suas melhorias, assim como questões mais orientadas para a parte jurídica dos contratos, principalmente devido às alterações a inserir.
A empresa detentora da fábrica da Maltibérica tem o capital partilhado entre a Unicer, com 51 por cento e a Intermalta, com 49 por cento.
A cevada utilizada pela Maltibérica para fabricar o malte tem origem principalmente no Alto e Baixo Alentejo.
A fábrica da Maltibérica situa-se em Pegões, perto da produção de cevada e das unidades da Unicer que produzem a cerveja.
Cerca de 98 por cento da produção da Maltibérica destina-se às fábricas de cerveja da Unicer.