Manifestantes vão pernoitar na Praça D. João I, no Porto, com aval da PSP
Porto, 29 out 2026 (Lusa) - A PSP informou hoje os manifestantes na Praça D. João I, no Porto, de que podem pernoitar no local desde que desmontadas as mais de uma dezena de tendas, pedido acatado pelos presentes.
Pelas 00:15, a comissária da PSP do Porto Eduarda Fã explicou a manifestantes que teriam de retirar as tendas, lembrando a hora da 00:30 como fim do direito à manifestação.
Após interpelada por manifestantes, explicou que teria de submeter a ordem superior autorização para os deixar ficar nas tendas e, numa comunicação posterior, um representante explicou que levantariam as tendas, o que a Lusa constatou no local ter sido feito em poucos minutos.
Minutos depois, pelas 00:35, a mesma comissária explicou aos presentes que poderiam pernoitar, desde que sem fazer ruído.
No local encontram-se cerca de 150 pessoas.
Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.