Manuel Pinho afasta diminuição de impostos
Bruxelas, 29 Mai (Lusa) - O ministro da Economia, Manuel Pinho, assegurou hoje, em Bruxelas, que não estão previstas medidas fiscais para contrariar o aumento do preço dos combustíveis, contrariando propostas nesse sentido feitas nos últimos dias.
"Não estão previstas nenhumas medidas fiscais", disse Manuel Pinho à entrada de uma reunião dos ministros responsáveis pela competitividade dos 27, onde a questão dos problemas criados com o aumento do preço dos combustíveis será debatido a pedido de Portugal.
A presidência eslovena da União Europeia aceitou o pedido do ministro português para que os 27 debatam hoje os problemas colocados com o aumento do preço dos combustíveis.
O ministro português deverá fazer uma exposição sobre a matéria na reunião prevista há vários meses dos ministros responsáveis pela Competitividade dos 27 e os restantes responsáveis europeus poderão reagir se assim o entenderem, disse à Lusa fonte da presidência eslovena.
A intervenção será feita na parte da reunião dedicada aos "pontos diversos", mas a introdução "à última hora" do tema não irá permitir que haja documentos para analisar ou que sejam tomadas decisões ou apresentadas conclusões sobre a matéria.
"O que me limitei a fazer é a lançar este debate a nível europeu porque acho que é o local correcto para olharmos para esta questão", disse Manuel Pinho à entrada da reunião.
A Comissão Europeia manifestou terça-feira ter "dúvidas" sobre a viabilidade de uma proposta feita pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, de redução do IVA sobre os combustíveis, alertando contra a possibilidade de se enviar um "mau sinal" aos países produtores de petróleo.
Segundo o executivo comunitário, "alterar a fiscalidade dos carburantes para combater a alta do preço do petróleo enviaria um muito mau sinal aos países produtores".
"Porque é a mesma coisa de lhes estar a dizer que podem aumentar o preço do petróleo e que isso será pago pelos impostos dos cidadãos. Isso é uma mensagem que não devemos passar", disse um porta-voz comunitário.
Os partidos da oposição em Portugal têm reclamado uma diminuição da fiscalidade sobre os combustíveis para compensar a alta de preços do petróleo.
Na intervenção que fez quarta-feira na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos reafirmou que o governo não tem intenção de baixar outros impostos, para além do já anunciado IVA (taxa normal baixa de 21 para 20 por cento a partir de Julho), dando a entender que não está a pensar em mexer no ISP.
"Não aceitaremos (...), na actual situação das finanças públicas, propostas de reduções adicionais de impostos", afirmou o governante.
FPB
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