Mário Lino reitera apoio do Governo ao investimento da PT no Brasil

O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações afirmou hoje que o investimento da Vivo na rede GSM é uma medida acertada, que valoriza a empresa, e reiterou o apoio do Governo português ao envolvimento da PT no Brasil.

Agência LUSA /

"Posso assegurar que o investimento e envolvimento que a PT tem na Vivo é acarinhado pelo Governo português", disse o ministro Mário Lino ao início da noite de quarta-feira, numa visita à sede da operadora de telecomunicações móveis, em São Paulo.

Sobre a eventual continuidade da presença da PT no Brasil, que depende do desfecho da OPA lançada pela Sonaecom (que já admitiu a venda da participação na Vivo à Telefónica, caso a oferta seja bem sucedida), o ministro afirmou que a decisão dependerá sempre dos interesses estratégicos dos accionistas portugueses, sejam quais forem.

"Não é ao Governo que compete avaliar o caminho e a estratégia das empresas", disse Mário Lino, acrescentando que "é positivo para a PT [continuar no Brasil] enquanto a PT considerar que o deve fazer".

O ministro defendeu que "deve deixar-se o mercado funcionar, cabendo aos accionistas escolherem a solução que acharem melhor".

Lino reafirmou que não é intenção do Governo "condicionar a evolução normal das coisas" e que o Estado, enquanto accionista, só irá pronunciar-se no momento próprio, ou seja, em assembleia geral.

O governante, que se encontrou na quarta-feira com o seu homólogo brasileiro, Hélio Costa, adiantou que a questão da OPA não foi discutida, limitando-se a "fazer um ponto da situação".

Em análise estiveram a atribuição das licenças de operação da Vivo em Minas Gerais e no Nordeste (únicas regiões do país onde a operadora móvel ainda não tem cobertura) e o investimento da Vivo numa rede GSM, revelou.

Mário Lino revelou que "tentou sensibilizar o Governo brasileiro" para as vantagens do alargamento da cobertura da Vivo à totalidade do território brasileiro, mas rejeitou a interpretação de que estes esforços são uma tomada de posição pela continuidade da PT no capital da empresa brasileira.

"O Governo português apoia os esforços das empresas portuguesas para ter sucesso e, por esta via, também transmitirem imagem positiva da tecnologia e saber português", salientou o ministro, recusando igualmente a ideia de que a sua presença na Vivo possa ter alguma interpretação relacionada com a OPA.

"Anormal seria que eu não visitasse o maior investimento português no Brasil", afirmou.

Mário Lino também afirmou que a aposta da Vivo na coexistência das plataformas tecnológicas GSM e CDMA "é uma medida acertada, que vai reforçar o valor" da empresa, aumentando a capacidade competitiva e tornando a oferta "mais ajustada" às necessidades do mercado.

Também se mostrou satisfeito "por estar quase concluído" o processo de atribuição das licenças para Minas Gerais e Nordeste, adiantando que voltará ao Brasil em Outubro para acompanhar o andamento do processo.

Sobre a separação das redes de cobre e cabo em Portugal, o governante mostrou-se satisfeito que esta seja uma pretensão quer da PT (que anunciou na semana passada a intenção de cindir a PT Multimédia, caso a OPA da Sonaecom fracasse), quer da própria Sonaecom.

"Vemos com bons olhos esta separação, que é uma orientação que o Governo já tinha dito que era importante", afirmou.

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