Marvão defende criação de associação para defender produtores de castanha
O presidente da Câmara Municipal de Marvão (Portalegre), Vítor Frutuoso, defendeu hoje a criação de uma associação que defenda os interesses dos produtores de castanha do concelho e que comercialize os seus produtos.
A posição do autarca alentejano surge numa altura em que os produtores de castanha de Marvão não conseguem dar resposta à procura que existe no mercado.
A ausência de chuva e o tempo quente afectaram este ano gravemente a produção na zona de Marvão, não permitindo que os ouriços (cápsula onde se encontra a castanha) abram e que as castanhas caiam para o chão.
"Existem dificuldades na produção e na comercialização da castanha. Este é um problema que assola, em termos gerais, a nossa agricultura e hoje em dia, se não criarmos uma associação que nos ajude, não vamos conseguir progredir", argumentou o autarca.
"Os espanhóis estão a adquirir em Marvão grandes quantidades de castanha para expandir o negócio no outro lado da fronteira. Os nossos produtores têm que estar protegidos", avisou, por sua vez, Pedro Sobreiro, vereador no município, em declarações à Lusa.
A mesma opinião é partilhada pelo deputado socialista Ceia da Silva, eleito por Portalegre, que desafiou os produtores locais a unirem-se para poderem beneficiar, a curto prazo, do novo Plano de Desenvolvimento Rural (PDR).
"O plano cria fortes restrições aos investimentos isolados. Se houver união e cooperativismo com dinamismo, os financiamentos do PDR poderão ajudar os produtores", disse.
Por isso, Ceia da Silva salientou ser este "o momento certo" para a criação de uma associação, que defenda os interesses dos produtores.
A região de Marvão, no norte alentejano, é a única a Sul do Tejo onde se verifica a existência de castanheiros.
O micro clima da Serra de São Mamede, propício à produção de castanha, já levou a que as entidades que tutelam o sector considerassem a castanha de Marvão como de "origem protegida".