Medidas devem continuar para mercado monetário funcionar e taxas descerem

Lisboa, 10 Out (Lusa) - As autoridades financeiras devem continuar a avançar medidas para incentivar o mercado monetário a funcionar e tentar descer taxas de juro de modo a recuperar a confiança dos investidores, o que está a demorar, defendem operadores.

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Os mercados bolsistas europeus voltaram hoje a iniciar a manhã com quebras acentuadas, entre mais de oito por cento, em Frankfurt, e mais de cinco por cento em Madrid, depois de nos EUA, as bolsas também terem encerrado com descidas entre sete e cinco por cento.

Em Tóquio, a queda da bolsa ultrapassou nove por cento, a maior baixa desde 2003 e a terceira mais acentuada da sua história.

Em Lisboa, o PSI 20 descia cerca de seis por cento, a meio da manhã.

Os mercados parecem não reagir às várias medidas avançadas pelos Estados e pelos bancos centrais, não deixando o sentimento de medo justificado por situações que denotam a gravidade da crise, como o anúncio da primeira falência no Japão, no sector segurador, e por um dos maiores resgates de sempre de fundos de investimentos nos EUA, de 36 mil milhões de dólares.

Como explicou à agência Lusa, John dos Santos da Lisbon Brokers, este resgaste justifica-se com o facto de ser preciso "vender para fazer face à necessidade de liquidez".

"As taxas de juro na Europa estão a demorar imenso a descer e os bancos continuam a depender do banco central" devido à "crise de confiança" entre as entidades bancárias que faz com que o mercado monetário não esteja a funcionar correctamente.

Este comportamento de falta de confiança no mercado monetário "já está a chegar aos investidores", especificou John dos Santos.

O mercado accionista está a reflectir a crise por ser a única forma de obter liquidez, quando o mercado monetário e o obrigacionista não estão a funcionar.

Para aquele operador, tal como para Albino Oliveira, da Fincor, a descida da taxa de juro e o funcionamento do mercado monetário são dois factores que podem ser decisivos para inverter a falta de confiança entre os seus intervenientes, um processo que, no entanto, vai levar tempo.

Albino Oliveira defende que "as intervenções vão ter efeito positivo na economia e no mercado a prazo, mas [actualmente] o pânico é generalizado e não está ainda travado" pois os investidores vão demorar a responder às medidas.

E, para o operador, "é provável que este fim-de-semana sejam anunciadas mais medidas" pois as autoridades financeiras "vão ter de continuar a tentar recuperar a confiança" dos mercados e garantir o funcionamento do mercado monetário, "com intervenções directas nos bancos que o necessitem".

Para John dos Santos, as medidas já anunciadas "têm sido correctas, embora esporádicas", mas "vai levar algum tempo para corrigir uma crise como não se assistia há 70 anos".

Quanto às taxas de juro na Europa, o analista da Lisbon Brokers considera que "começa a haver espaço para cortar" pois o objectivo do Banco Central Europeu (BCE) é a inflação que "está calma", nomeadamente com os preços do petróleo a registar esta semana a maior quebra desde 2004.

Por outro lado, no mercado bolsista, "há títulos que começam a ser atractivos e a compensar o risco para comprar" pois, com as quebras, já atingiram valores baixos.

Já Albino Oliveira acrescenta que as taxas de juro podem descer, mas os spreads dos bancos serão maiores, "não serão tão baixos como já foram".

EA.

Lusa/Fim


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