Meia centena de trabalhadores despedidos em processo de reestruturação da Maconde

Cinquenta e três trabalhadores da Maconde foram despedidos no âmbito do processo de reestruturação da empresa, que deverá ainda implicar a saída de "mais cinco a sete" funcionários, disse hoje à Lusa fonte da administração.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /
O presidente da mesa da assembleia-geral afirmou que os trabalhadores agora dispensados eram sobretudo administrativos e auxiliares RTP

De acordo com o presidente da mesa da assembleia-geral, António Leite Tavares, a saída dos trabalhadores resultou da insolvência, decretada pelo Tribunal de Braga, das empresas Maconde Confecções II e Mac Meios.

Estas empresas, tal como a Tribo e a MacModa, foram apresentadas à insolvência pela administração da Maconde no âmbito da reestruturação em curso, com o objectivo de garantir a viabilidade da empresa.

Segundo Leite Tavares, a decisão de cessação dos contratos de trabalho com 53 trabalhadores foi tomada pelo administrador de insolvência, que é agora responsável pelas empresas e que deverá ainda efectuar "um ou outro ajustamento", a traduzir na saída de "cinco a sete pessoas".

Os restantes trabalhadores da Maconde Confecções II e da Mac Meios serão reintegrados na actividade industrial da Maconde, sendo que já não havia há algum tempo funcionários afectos à Tribo e à MacModa.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da mesa da assembleia-geral afirmou que os trabalhadores agora dispensados eram sobretudo administrativos e auxiliares, não se tratando de pessoal fabril.

"Apesar de termos encerrado três unidades fabris, os quadros administrativos mantinham a mesma dimensão e havia pessoas com ordenados altíssimos", explicou Leite Tavares, salientando que "a reestruturação não era possível com esta situação, havendo necessidade de redimensionar" esta área.

Respondendo a acusações do núcleo do Bloco de Esquerda de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim, que afirma não terem sido garantidas aos trabalhadores agora despedidos as indemnizações legais devidas, Leite Tavares afirmou que o processo está a ser conduzido pelo administrador de insolvência, sob orientações judiciais, obedecendo a todos os requisitos legais.

Depois de, no passado dia 10, a administração da Maconde ter chegado a um acordo de princípio com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BCP que garante a solvência da empresa, o presidente da mesa da assembleia geral da têxtil manifestou-se "admiradíssimo" com a aparente falta de vontade do BCP em concretizar a operação.

"Não sabemos o que se passa, mas o facto é que não temos ainda a concretização da operação definida e há, mesmo, informações discrepantes quanto às relações [do BCP] com os outros bancos", afirmou Leite Tavares.

Garantindo que, da parte da Maconde, "não falta nada" para que o acordo avance, o responsável lamenta não ter, "sequer, a versão `draft`" do acordo.

"Cada dia que passa é mais difícil garantir a sobrevivência da empresa", sustentou, alertando que com este impasse se está "a matar a empresa diariamente".

Caso não haja um desfecho da situação até ao início da próxima semana, António Leite Tavares admite solicitar uma reunião com o Ministério da Economia, com que se tem mantido "em contacto permanente".

Alcançado a 10 de Setembro num processo intermediado pelo Ministério da Economia, o acordo com a CGD e o BCP conclui um processo iniciado em Março para resolver o problema do estrangulamento da Maconde, empresa têxtil de Vila do Conde que tem um passivo de 32 milhões de euros.

A empresa, que nasceu do investimento de um grupo estrangeiro em Vila do Conde, em 1969, chegou a empregar mais de 2.000 trabalhadores, em cinco fábricas, mas em 2002 começou a encerrar unidades, as últimas das quais no ano passado, em Braga e na Póvoa do Varzim.

A única unidade restante do grupo, de Vila do Conde, ainda é a maior fábrica têxtil da região, empregando cerca de 500 funcionários.

Em 2006, no âmbito de um plano de reestruturação liderado pelo então presidente do grupo Mário Pais de Sousa (ex-Vulcano), a Maconde decidiu alienar as lojas Macmoda, Tribo e Zona Franca a três insígnias do grupo Sonae.

Depois da saída de Pais de Sousa em Março deste ano, a empresa tem contado com a colaboração da gestora Maria Cândida Morais (ex-Jornal de Notícias) na elaboração de um novo plano de reestruturação, o qual se aguarda agora ser aprovado pela banca.

PUB