Menezes opõe-se "para já" a um inquérito parlamentar a Constâncio

Paredes, 25 Jan (Lusa) - O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, opõe-se "para já" à realização de um inquérito parlamentar à actuação do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, no caso das alegadas irregularidades cometidas pelo BCP.

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O presidente do PSD, que falava quinta-feira à noite à margem de um jantar que reuniu cerca de uma centena e meia de militantes social-democratas no concelho de Paredes, prefere esperar pela audição ao anterior presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

"Nunca iremos por aí", garantiu Menezes, afirmando que por ser "um partido do arco da governação", o PSD tem de ter "muito mais responsabilidades do que outros partidos que não aspiram a ser Governo".

O dirigente demarcou-se assim do CDS-PP, que anunciou a intenção de propor a realização de um inquérito parlamentar a Constâncio, iniciativa que o BE já disse apoiar.

Por seu turno, o líder parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes, disse na quinta-feira à noite em Lisboa que o partido "não anda ao batuque dos outros", afirmando também que só decidirá sobre a constituição de uma comissão de inquérito "depois de ouvir toda a gente, com responsabilidade".

"Comigo, o grupo parlamentar não anda em correrias, sabemos as nossas prioridades, o tempo e o modo de as assumir", acrescentou.

Santana Lopes referiu que ao PSD bastam as assinaturas dos seus deputados para potestivamente constituir a comissão de inquérito, frisando que nesta posição "não há sobranceria nem arrogância".

Outra questão que Menezes aceitou comentar prende-se com o reforço do papel das mulheres na vida interna do PSD. O líder social-democrata revelou ser sua intenção "fazer uma grande reunião, eventualmente, instituidora de um movimento de mulheres no partido, no dia 25 de Abril deste ano".

Sobre a crise bolsista dos últimos dias e o seu possível efeito na economia portuguesa, Menezes considera que há "uma enorme imprevisibilidade", pelo que aconselha "prudência e moderação" nos comentários sobre a actual conjuntura.

"Governo tem obrigação de não ter um discurso catastrofista ou que possa gerar apreensão. Tenho alguma compreensão por um discurso que não seja catastrofista", comentou, referindo-se às declarações do ministro Teixeira dos Santos, segundo o qual Portugal não será muito afectado pelas ondas de choque da actual conjuntura.

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