Mercosul. PS, PSD e IL falam em "derrota" que põe Europa em xeque, PCP saúda recurso à Justiça
PS, PSD e Iniciativa Liberal consideraram hoje que o envio do acordo comercial UE-Mercosul para o Tribunal de Justiça é uma "derrota" que põe a Europa em xeque, enquanto o PCP saudou a decisão, falando num "mau acordo".
O Parlamento Europeu (PE) aprovou hoje por uma maioria de dez votos o envio do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul ao Tribunal de Justiça europeu para verificar a compatibilidade com a legislação comunitária.
Em declarações aos jornalistas, o eurodeputado do PS Francisco Assis disse lamentar profundamente a decisão, considerando que o PE cometeu um "erro gravíssimo", devido a uma maioria formada por "forças da extrema-direita e da extrema-esquerda".
"É apenas uma forma de ganhar tempo, de adiar o mais possível, mas isto tem um efeito tremendo, porque tem um efeito suspensivo. O Tribunal poderá demorar cerca de 18 meses a responder a esta solicitação e é muito provável que isto tenha um impacto do outro lado do Atlântico", avisou.
Francisco Assis disse temer que os países do Mercosul possam dizer agora que "estão fartos de esperar pela Europa" e optem por virar-se para outros parceiros comerciais dispostos a "aumentar os investimentos e reforçar a cooperação em todas as áreas".
Questionado se considera que o acordo UE-Mercosul morreu com esta decisão, o eurodeputado disse esperar que não, "mas há algum risco que isso aconteça", reiterando que a decisão do PE é de uma "irresponsabilidade total" e uma "derrota" para a Europa.
"É uma decisão que afeta muito a imagem da Europa no mundo e que prejudica o que tem de ser, neste momento, a nossa preocupação fundamental, que é a Europa aparecer perante os outros como um parceiro fiável", disse.
O eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho também criticou a "união descarada e perigosa dos partidos da extrema-direita e extrema-esquerda para minar o lugar da Europa no mundo" com o envio para o TJUE do acordo comercial UE-Mercosul.
"Aquilo que o PE disse aos nossos parceiros e interlocutores foi que a Europa não interessa e a Europa não quer interessar. Se não aprovarmos e se o [acordo] Mercosul não entrar em vigor, estamos a dizer ao mundo que não interessamos", avisou Bugalho, que pediu agora ao Conselho Europeu e Comissão Europeia que recorram a um mecanismo para permitir a entrada em vigor provisória do acordo apesar do envio para o TJUE.
"Não foi o interesse europeu que foi defendido hoje, não foi o interesse de nenhum Estado-membro que foi defendido hoje e não foi certamente o interesse de nenhum agricultor que foi defendido hoje", afirmou o eurodeputado, que salientou que, caso se tenha de esperar até dois anos pela decisão do TJUE sobre este acordo, a UE vai perder "o comboio do futuro".
Por sua vez, a eurodeputada da IL Ana Vasconcelos também considerou que a decisão do PE é um "péssimo sinal aos europeus e ao mundo da incapacidade das instituições europeias de tomarem decisões importantes para o futuro dos europeus e de todos os povos que anseiam por mais liberdade e democracia no mundo".
"Não podemos perder de vista que a China já substituiu a Europa como principal parceiro comercial na América do Sul. Trump tem todo o interesse em que este acordo não avance e, portanto, o sinal não é propriamente de confiança para os nossos parceiros comerciais", referiu.
Em sentido contrário, o eurodeputado do PCP João Oliveira saudou o facto de haver "um momento de interregno" para rever o acordo UE-Mercosul, que considerou ser um "mau acordo, que suscitou tantas críticas e tantas dúvidas".
"Se ao fim de 25 anos o resultado que há para apresentar é um acordo tão mau, diria que mais uns meses ou mais um ano para haver um bom acordo em vez de um mau acordo é pouco tempo", disse, salientando que a alternativa a haver a um "mau acordo não é não haver acordo, é um bom acordo, que defenda os setores produtivos e o desenvolvimento da produção".