Merkel diz aos chineses que a Europa tem de ser mais competitiva

“O euro tornou a Europa mais forte” e a União está no bom caminho para resolver a crise da dívida, mas os países europeus "devem tornar-se mais competitivos" se quiserem prosperar no atual cenário económico internacional. Foi esta a principal mensagem que Ângela Merkel quis passar em Pequim, num discurso que proferiu na Academia Chinesa de Ciências Sociais. A chanceler está na China para uma visita de três dias em que serão abordadas as relações económicas bilaterais e também questões internacionais com os problemas da Síria e do Irão.

RTP /
Em Pequim Merkel deixou mensagens para ouvidos europeus Adrian Bradshaw, EPA

A China tem seguido com especial preocupação a crise da Zona Euro e Merkel fez questão de se referir no seu discurso à situação económica europeia.

Depois de mencionar “os grandes progressos realizados pela economia europeia nos últimos dois últimos anos”, a chanceler admitiu que “a competição internacional se tem vindo a tornar muito mais dura e que a Europa tem de se adaptar se quiser evitar que cada vez mais empresas optem pela deslocalização.

Para atingir esse objetivo Merkel preconiza que os europeus terão de eliminar uma grande parte da burocracia que ainda subsiste e abrir-se a novos sectores económicos embora não necessariamente de “gastar mais dinheiro”.
Merkel diz que pacto fiscal colocou Europa "no bom caminho".
Merkel aproveitou para recordar aos chineses o recente pacto fiscal assinado por 25 países da União Europeia e manifestou-se convicta que o acordo coloca a Europa “no bom caminho”. De caminho, recordou que “apenas os [países] que respeitarem o pacto de estabilidade poderão vir a receber ajuda” do novo fundo europeu de resgate.

Num tema que lhe é particularmente caro, a chanceler da Alemanha aproveitou para enviar o recado de que “é necessária uma maior coesão entre os sistemas de proteção social” dos europeus, já que segundo ela, “em alguns países a idade da reforma é aos 57 anos enquanto que noutros é aos 67”.

Reconhecendo que a economia alemã no seu conjunto “beneficiou com o euro”, Angela Merkel advertiu que “não adianta nada insultar as agencias de notação [financeira]” por estas terem baixado a nota da maioria das economias europeias, tendo a Alemanha sido um dos poucos países que escapou a esse destino e conseguiu manter a nota máxima de “triplo A”.
Pequim diz que "é urgente" resolver a crise da dívida
Em resposta às declarações de Merkel, o chefe do governo chinês, Wen Jiabao, deu conta das preocupações de Pequim, dizendo que “é urgente” resolver a crise da dívida na Zona Euro.

Falando na conferência de imprensa conjunta que se seguiu a um encontro com a chanceler alemã, o primeiro-ministro da China voltou a afirmar que o seu país vai apoiar os esforços da Europa para estabilizar o euro.

Segundo Wen Jiabao, Pequim está a considerar a hipótese de um maior envolvimento chinês no atual Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) que serviu para resgatar Portugal Grécia e Irlanda, e no futuro Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) que a partir de julho deve substituir o FEEF a título permanente.
Alemanha é o maior parceiro europeu da China
Merkel chegou à capital chinesa acompanhada de uma delegação de 20 elementos. É a quinta visita que faz à 2ª maior economia mundial enquanto chefe do governo germânico.

A Alemanha é o maior parceiro comercial da China no conjunto de países da União Europeia as aquisições de produtos alemães por parte dos chineses tem sido um dos fatores que contribui para que a economia germânica cresça muito mais rapidamente do que a dos seus parceiros.

O benefício desta relação é mútuo, já que a importação de tecnologia alemã, sob a forma de maquinaria para as fábricas chinesas, tem permitido à economia chinesa melhorar rapidamente.

A China encara também a Alemanha como o principal interlocutor sobre a crise europeia, em parte devido ao poder económico do país relativamente aos seus vizinhos.

Pequim tem, por repetidas vezes, manifestado confiança na capacidade da Europa para resolver os seus problemas e afirmado que está pronta a apoiar os esforços internacionais a favor da Zona Euro.

No entanto, apesar de deterem as maiores reservas mundiais em divisa estrangeira e das solicitações que têm vindo a receber de vários dirigentes europeus, os chineses não quiseram, até agora, comprometer-se explicitamente com uma contribuição para o fundo de socorro do euro ou com a compra de obrigações europeias.
Chineses preferem apostar na compra de empresas
Em vez disso a estratégia de Pequim passa por usar as reservas para adquirir ativos na Europa , como recentemente aconteceu em Portugal com a compra de uma parte da EDP pela empresa estatal Three Gorges Dam, ou na Inglaterra onde os chineses adquiriram 9 por cento da Thames Water, a empresa que fornece água a Londres.

O apetite chinês por companhias europeias não se limita às empresas estatais. A firma chinesa Sany Heavy Industry concordou recentemente em pagar 360 milhões de euros pela cimenteira privada alemã Putzmeister.
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