Metro de Lisboa parado durante a manhã

Os trabalhadores do Metro de Lisboa pararam a 100 por cento numa contestação contra os cortes salariais impostos pelo Governo, de acordo com números avançados pelos sindicatos. A administração da ML admite que o metro está parado, mas não avança com números. A greve começou às 6H30 e deverá terminar às 11H30, mas a empresa já adiantou que não haverá comboios pelo menos até ao meio-dia.

RTP /
"O metro está parado. Neste momento não existem circulações", admitiu o diretor de comunicação da Metro Lisboa www.metrolisboa.pt

Numa primeira leitura da situação do metro na capital, Diamantino Lopes, da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes (Fectrans), apontou uma adesão total: "Neste momento não estão a circular metros. A adesão ronda os 100 por cento".

Na "central de energia e circulações, que é o coração do metro, está tudo parado, na circulação de comboios está tudo paralisado, quer as chefias, quer os maquinistas, no que diz respeito às estações só sabemos de uma trabalhadora que se apresentou para trabalhar", acrescentou o sindicalista.

Diamantino Lopes leu esta adesão como um "sinal" do desagrado dos trabalhadores: “É essa a intenção, é dar um sinal ao Governo e à administração do metro de qual o sentimento dos trabalhadores".

Sem alternativas planeadas pela empresa, o dirigente sindical aponta que os passageiros voltem a ter serviço de transporte “só após as 11H30".

A este respeito, e queixando-se de que "não foi fixada a prestação de serviços mínimos relativamente à circulação de comboios”, a ML remete no entanto para trinta minutos depois, às 12H00, o retomar dos serviços.

Metro não adianta números
"O metro está parado. Neste momento não existem circulações", admitia ao início da manhã Miguel Rodrigues, diretor de comunicação da Metro Lisboa, rejeitando contudo uma adesão total à paralisação.

"Não se pode dizer que (a adesão) seja de 100 por cento. Não temos dados ainda que nos deem esses números", declarou o director da Metro, para indicar que "por questões de segurança, e não havendo um número significativo de capacidade de oferta, o metro encerra as suas estações".

"Tivemos o cuidado de informar todos os nossos clientes, desde a semana passada, que hoje seria provável não haver serviço", afirmou Miguel Rodrigues em declarações à Agência Lusa.

Aquele quadro da ML admitiu ainda que a empresa chegou a contemplar um quadro em que "o metro não funcionasse no dia de hoje".

Semana de luta nos transportes

A contestação não se fica por hoje, estando planeadas paralisações nos transportes ao longo de toda a semana. Trata-se de protestos contra o que os sindicatos chamam de "cortes salariais selvagens" impostos pelo Governo. Na quarta-feira prosseguem as greves: vão estar a meio gás a Transtejo, a Carris e a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).

Na quinta-feira, paralisam os trabalhadores do setor ferroviário: CP, CP Carga, REFER e EMEF. Também se juntam a este protesto funcionários dos CTT.

Na sexta-feira é a vez dos privados serem afetados pela contestação dos trabalhadores. São esperadas paralisações na Soflusa, Rodoviária de Entre Douro e Minho e Rodoviária da Beira Interior.

Fonte da STCP já fez saber que não haverá transportes alternativos e decisão idêntica já foi tomada pela Carris, que não espera "perturbações significativas no seu funcionamento normal decorrentes da greve".
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