Miguel Stilwell de Andrade chega ao topo aos 44 anos após duas décadas na empresa

Miguel Stilwell de Andrade, há 20 anos na EDP, vai ser eleito na terça-feira presidente do Conselho de Administração Executivo da elétrica, cargo que assume desde julho após a suspensão de funções de António Mexia.

Lusa /

Engenheiro mecânico de formação, pela Universidade de Strathclyde, em Glasgow, na Escócia, Miguel Stilwell de Andrade, de 44 anos, especializou-se no mundo financeiro, tendo iniciado a sua carreira no UBS Investment Bank, em Londres, Reino Unido, onde trabalhou principalmente na área de fusões e aquisições em vários projetos internacionais.

A experiência adquirida naquela área levou-o à EDP, onde chegou em 2000, para integrar o setor de Estratégia e Desenvolvimento Corporativo / M&A (fusões e aquisições) do grupo, do qual foi diretor entre 2005 e 2009.

Miguel Stilwell de Andrade esteve diretamente envolvido na aquisição de várias empresas do setor das energias renováveis, que deram depois origem à EDP Renováveis, bem como em várias fases do processo de reprivatização da elétrica.

Participou também na operação de aumento de capital da EDP, em 2004, na Oferta Pública de Venda (OPV) da EDP Energias do Brasil, em 2005, e na OPV da EDP Renováveis, em 2008.

Entre janeiro de 2009 e fevereiro de 2012, foi membro do Conselho de Administração da EDP Distribuição Energia, tendo sido também administrador da EDP Inovação, da EDP Ventures e da EDP Gás Distribuição.

Em 2012, tornou-se presidente executivo da EDP Comercial e foi também eleito membro do Conselho de Administração Executivo do grupo EDP.

Desde 2018, e até ao momento da saída de António Mexia da liderança da EDP, Stilwell de Andrade desempenhava as funções de administrador financeiro da elétrica.

Durante aquele período no comando financeiro, Stilwell de Andrade lidou com uma oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges (CTG), o maior acionista da EDP, que falhou e levou à atualização do plano estratégico da empresa, com mais investimento nas renováveis.

Em 15 de julho do ano passado, já com Stilwell de Andrade no cargo de presidente executivo interino, depois da suspensão de funções decretada pelo juiz Carlos Alexandre a António Mexia, arguido no caso das rendas excessivas, a EDP anunciou um aumento de capital em mais de mil milhões de euros para financiar a compra da espanhola Viesgo.

Vários administradores da EDP e os dois maiores acionistas da elétrica -- a estatal chinesa CTG (que detém 21,47%) e a Oppidum Capital (detém 7,19% do capital) - acompanharam com mais de 294 milhões de euros o aumento de capital para a compra da espanhola Viesgo.

Stilwell de Andrade considerou a operação "um sucesso" que demonstrou o "grande alinhamento entre a empresa e os seus acionistas".

O novo CAE da EDP tem apenas cinco elementos, quando antes eram nove, sendo Stilwell de Andrade o membro mais novo.

Serão reconduzidos Miguel Setas, Rui Teixeira e Vera Pereira, a que se junta Ana Paula Marques, que era administradora da NOS, cargo a que renunciou em dezembro.

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