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Milho transgénico e convencional podem coexistir

Milho transgénico e convencional podem coexistir

Um estudo hoje divulgado confirma que o milho t ransgénico e o convencional podem coexistir com taxas de contaminação inferiores ao limite que obriga à rotulagem dos produtos que contém Organismos Geneticamen te Modificados (OGM) como tal (0,9 por cento).

Agência LUSA /

O estudo, hoje apresentado pelo director do Centro de Informação de Bio tecnologia (CIB), foi realizado no Baixo Mondego, na Lezíria Ribatejana e em Ode mira, e concluiu que, mesmo no pior cenário, a presença de 24 linhas de milho se parando os dois tipos de cultura seria suficiente para reduzir a contaminação po r polinização cruzada para 0,85 por cento (abaixo do limite de 0,9 por cento).

As 24 linhas de milho (18 metros) estão definidas como distância de seg urança para minimizar a polinização cruzada entre os dois tipos de cultura.

A investigação foi feita rodeando campos de milho transgénico com cultu ras de milho convencional.

Segundo o director do CIB, Pedro Fevereiro, sem qualquer separação entr e os campos, a polinização cruzada atingiria 3,2 por cento.

Com a presença de 24 linhas de milho não transgénico intercaladas, o va lor baixaria para 0,85 por cento, não sendo necessário rotulagem específica para indicar a presença de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) nos produtos.

Pedro Fevereiro adiantou ainda que a percentagem de polinização cruzada diminui à medida que aumentam as áreas cultivadas e que "só metade dos grãos de pólen transportam o transgene", já que se tratam de híbridos.

O estudo realizado pelo Instituto de Biologia Experimental e Tecnológic a (IBET) concluiu também que a percentagem de polinização cruzada varia de acord o com a localização e características do solo e do clima.

A legislação portuguesa obriga a uma distância mínima de 200 metros ent re culturas transgénicas e convencionais e de 300 para a produção biológica. No caso do milho transgénico, as distâncias podem ser encurtadas até um mínimo de 50 metros, desde que o campo tenha uma bordadura com um mínimo de 24 a 28 linhas de milho não transgénico.

O cultivo de 17 variedades de milho transgénico em Portugal foi regulam entado em 2005, tendo sido já semeados, de acordo com o CIB, 1.000 hectares de m ilho resistente à broca, uma praga que apresenta nalgumas regiões portuguesas um a incidência de 60 por cento.

O milho transgénico produzido é usado na alimentação de gado.

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