Mineradora pede medidas após novo incidente de garimpo ilegal de rubis em Moçambique
A Montepuez Ruby Mining (MRM) pediu às autoridades moçambicanas "medidas mais proativas" contra os que "financiam, facilitam e incentivam o comércio ilegal de rubis", após novo incidente mortal com garimpeiros que invadiram aquela concessão, no norte de Moçambique.
Em comunicado enviado hoje à Lusa, a MRM refere que a equipa de segurança na área de concessão, em Montepuez, província de Cabo Delgado, detetou na manhã de 27 de dezembro uma "atividade mineira ilegal" no seu interior.
"As chuvas fortes que se verificaram durante a noite deixaram os solos instáveis e o terreno encharcado colapsou sobre três mineiros ilegais enquanto construíam túneis subterrâneos. Dois indivíduos ficaram levemente feridos e o terceiro mineiro ilegal foi dado como morto no incidente", explica.
Acrescenta que os "mineiros ilegais retiraram os dois indivíduos feridos, cujas identidades continuam desconhecidas, e deixaram o corpo do finado próximo de um posto de vigilância".
Uma equipa conjunta de patrulha composta pela Polícia da República de Moçambique (PRM) e serviços de proteção da MRM "foi enviada ao local para confirmar o estado do incidente", o qual "foi reportado às autoridades competentes para o cumprimento dos protocolos subsequentes", incluindo o Serviço Nacional de Investigação Criminal.
"O óbito foi identificado como um homem de 24 anos de idade, proveniente do distrito de Mueda, tendo estado a residir em Montepuez", descreve a mineradora.
A MRM sublinha que realiza atividades de comunicação "contínuas" para "alertar sobre os perigos da mineração ilegal, disseminando mensagens de conscientização nas comunidades vizinhas" - onde "os mineiros ilegais costumam se abrigar temporariamente" -, sobre os "perigos da mineração ilegal, a fim de dissuadir os indivíduos de colocarem a si mesmos e aos outros em risco".
"Este incidente foi levado ao conhecimento das autoridades distritais, provinciais e nacionais, na esperança de que sejam tomadas medidas mais proativas contra aqueles que financiam, facilitam e incentivam o comércio ilegal de rubis moçambicanos, o que prejudica Moçambique e o seu povo, devido à perda de vidas e à privação das necessárias receitas fiscais provenientes dos recursos minerais de Moçambique", refere ainda.
Dois elementos da PRM morreram em 15 de outubro passado durante a incursão de 40 mineiros "ilegais" na mesma mina, confirmou na altura a MRM, detida pela empresa internacional Gemfields.
"Atacaram os agentes da PRM presentes no portão, matando dois, um dos quais era comandante da Força de Proteção dos Recursos Naturais de Moçambique. Nenhum funcionário ou contratado da MRM ficou ferido no ataque e as condições no local têm estado calmas desde então", explicou a mineradora.
Acrescentou que a MRM "foi informada de que o ataque poderia estar relacionado com as autoridades distritais de imigração que, no início do dia, investigavam suspeitos de imigração ilegal numa aldeia local e durante a qual, segundo relatos, uma pessoa morreu".
A Gemfields já tinha divulgado, em 07 de outubro, que adiou para o início de 2026 o leilão de rubis da mina moçambicana de Montepuez, alegando os impactos da "sabotagem" diária de centenas de mineiros ilegais na nova unidade em construção naquela área, em Cabo Delgado.
Em comunicado enviado à Lusa, a empresa referia que "tomou a decisão de adiar o leilão habitual de rubis de novembro/dezembro para janeiro/fevereiro" devido "ao atraso previamente anunciado na entrada em funcionamento definitivo da segunda fábrica de processamento", que foi "agravado pela ação de mineiros ilegais".
Explicava então que, "embora a operacionalização definitiva ainda esteja prevista para outubro", o funcionamento da nova fábrica "foi significativamente afetado durante a última semana por mineiros ilegais que, atualmente são entre 250 e 400 por dia, sabotando a infraestrutura de abastecimento da fábrica".