Ministério Público levanta processo-crime à Fábrica Plásticos do Lena

O Sindicato dos Químicos anunciou hoje que o Ministério Público (MP) instaurou um processo-crime à gerência da Fábrica Plásticos do Lena, de Leiria.

Agência LUSA /

A decisão do MP surge na sequência de uma exposição entregue pelo Sindicato e trabalhadores no dia 03 de Janeiro, a qual alertava para um conjunto de irregularidades na gestão.

No documento, os trabalhadores alertaram para o desaparecimento de 47 moldes da Plásticos do Lena, sem os quais consideram "impossível recuperar a empresa".

A carta entregue no MP também dava conta da constituição de uma outra empresa, a Galaica, no interior da Plásticos do Lena, pelos mesmos sócios, e denunciava que apenas esta última suportava salários e custos de produção.

António Marcelino, coordenador do Sindicato dos Químicos, que esteve quarta-feira no Ministério Público, disse à Lusa que aquele organismo "ficou com nomes e moradas de alguns trabalhadores para desenvolver as investigações".

Também a "Direcção de Finanças já visitou a empresa esta semana e falou com alguns trabalhadores", disse o sindicalista.

A viabilidade ou falência da empresa, que emprega cerca de meia centena de trabalhadores, será avaliado na próxima assembleia de credores, agendada para o dia 10 de Fevereiro, no Tribunal de Leiria.

Embora não se verifiquem salários em atraso (apenas 5/6 do subsídio de Natal estão por pagar), os trabalhadores estão preocupados, uma vez que não existem condições laborais.

"A luz continua cortada há cerca de uma semana, e assim não é possível trabalhar", sustentou António Marcelino, esclarecendo que o administrador judicial lhe terá dito para os trabalhadores "entrassem de férias".

Mas isso - refere o dirigente, "não podemos garantir, pois mas férias das pessoas não mandamos", pelo que "terá de ser negociado com elas".

Sobre esta possibilidade, António Marcelino adiantou que "os trabalhadores estão renitentes em aceitar, sem primeiro verem a chegada da luz à empresa e também dos moldes, pois assim não há qualquer garantia de futuro".

O administrador judicial, Armando Lopes, que está a elaborar um relatório sobre a situação da empresa, já disse à Lusa que acredita na viabilidade da fábrica de Gândara dos Olivais.

Para isso, no entanto, é preciso que os credores, que reúnem cerca de 4,6 milhões de euros de créditos, aceitem viabilizar a empresa na próxima assembleia de credores.

A maior parte deste valor está concentrado em apenas duas instituições - Segurança Social, com 2,180 milhões de euros, e Finanças, com 1,079 milhões de euros, os quais, em conjunto, representam 70,62% do total em dívida.

Para viabilizar a empresa de Gândara dos Olivais, o administrador judicial disse à Lusa disse que vai defender "a conversão de créditos em capital e apresentar uma proposta para se procurar uma sociedade de capital de risco".

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