Ministra acredita que Portugal pode ser autossuficiente na produção alimentar, em termos de valor
Santiago do Cacém, 28 out (Lusa) - A Ministra da Agricultura, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, afirmou hoje na inauguração de um lagar de azeite industrial que Portugal pode atingir a autossuficiência alimentar, em termos de valor, no prazo de sete ou oito anos.
"Cremos que é possível, e explorações como esta mostram que é possível, aumentar as nossas produções a ponto de, quando fazemos a comparação entre as importações e as exportações, nós ficamos equilibrados", disse.
"Isso não é possível em relação a cada produto individualizado, obviamente, mas, medido em termos de valor e na globalidade, nós conseguiremos, creio, atingir esse objetivo a médio prazo", acrescentou a ministra.
Assunção Cristas falava aos jornalistas após a inauguração do lagar da empresa INNOLIVA, no Monte do Carapetal, em Alvalade do Sado, concelho de Santiago do Cacém, que corresponde a um investimento global de 7,5 milhões de euros, comparticipado em 2,1 milhões de euros por verbas do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural).
Trata-se de um investimento maioritariamente espanhol, da INNOLIVA, empresa presidida por Miguel Rico, que detém a maior exploração superintensiva de olival do mundo, com plantações em Espanha e Portugal, e que prevê a criação de um total de cerca de 170 postos de trabalho.
"Foram várias razões que nos levaram a investir na produção de azeite em Portugal: o território, o clima, a qualidade dos terrenos e a oferta [proveniente da barragem do Alqueva]", justificou Miguel Rico.
"Portugal não só oferece uma produção de azeite de qualidade e em maior quantidade - mais 15 a 20 por cento do que em Espanha -, como essa produção é a primeira a estar disponível, o que é importante em termos de mercado", acrescentou o empresário espanhol.
O novo lagar do Carapetal, com uma exploração de cerca de 3.200 hectares de olival, em sebe gota a gota, tem uma capacidade de produção de 750 toneladas de azeitona por dia, cerca de 50.000 toneladas de azeitona por campanha.
Toda a produção se destina a exportação, principalmente para os mercados italiano e espanhol, mas que deverá ser alargada a novos mercados, como os Estados Unidos, o Brasil e a China.