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Ministro das Finanças diz que "é extemporâneo" contar com impostos da venda de barragens da EDP "nos próximos anos"

Ministro das Finanças diz que "é extemporâneo" contar com impostos da venda de barragens da EDP "nos próximos anos"

O ministro das Finanças disse hoje que "é extemporâneo" contar com a arrecadação dos impostos da venda das seis barragens da EDP no Douro "nos próximos anos", lembrando que "qualquer contribuinte tem o direito depois de litigar".

Lusa /
"É extemporâneo" contar com impostos da venda de barragens da EDP "nos próximos anos". diz ministro das Finanças José Sena Goulão - Lusa

Joaquim Miranda Sarmento disse hoje, à margem da conferência "O poder de Fazer Acontecer", organizada pelo Jornal de Negócios, em Lisboa, não ter conhecimento se o Ministério Público (MP) tomou alguma decisão relativa às suspeitas de fraude fiscal na venda de seis barragens da EDP à Engie.

As notícias de hoje indicam que o MP arquivou as suspeitas de fraude fiscal na venda de barragens, mas concluiu que o Estado tem a receber 335,2 milhões de euros em "impostos em falta".

O ministro apontou que "a Autoridade Tributária (AT) tem um ano para, ou eventualmente, fazer a liquidação do imposto", sendo que até pode não o fazer, sublinhando que tal "é uma competência da Autoridade Tributária, não é uma competência do Governo nem do Ministro das Finanças".

"A AT analisa a situação fiscal de qualquer contribuinte e decide pela liquidação ou não do imposto", apontou, e "se decidir pela liquidação de impostos, seja pelo montante que for, qualquer contribuinte tem o direito de litigar, de ir para o contencioso tributário".

Miranda Sarmento sublinhou assim que "qualquer contribuinte tem o direito depois de litigar", pelo que "é extemporâneo falar-se de qualquer valor da arrecadação de imposto este ano, ou no próximo ano, ou nos próximos anos".

O inquérito que investigou a venda das centrais da elétrica portuguesa ao consórcio francês liderado pela Engie chegou ao fim no final de outubro.

Em causa está a venda das barragens de Miranda, Bemposta e Picote (centrais de fio de água) e das barragens de Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro (centrais de albufeira com bombagem), que a elétrica portuguesa vendeu por 2.200 milhões de euros a um consórcio francês da Movhera, formado pelas empresas Engie (40%), Crédit Agricole Assurances (35%) e Mirova - Grupo Natixis (25%).

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) entendeu que a operação não teve contornos criminais, tendo arquivado as suspeitas da prática de crime de fraude fiscal.

No entanto, o Ministério Público entende que há impostos por pagar e, por isso, segundo a última parte do despacho, a que a Lusa teve acesso, manda a AT "proceder à cobrança dos impostos em falta e que não foram pagos".

Ao todo, o MP calcula que o Estado tem a receber 120,9 milhões em Imposto do Selo, 99,6 milhões de euros em IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) e 114,7 milhões de euros em IRC. Aos 335,2 milhões de euros acrescem juros.

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