Ministro defende TGV na Ponte 25 Abril e Ota para mais tarde
O Governo quer pôr o comboio de alta velocidade (TGV) a passar na ponte 25 de Abril e adiar a construção do aeroporto da Ota até ser necessário, segundo o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
Numa entrevista publicada hoje pela revista Visão, António Mexia diz que até ao final do ano haverá uma decisão sobre a construção ou não de uma nova ponte sobre o Tejo, e refere que mandou estudar uma quarta alternativa para a passagem do comboio de alta velocidade sobre o rio.
De acordo com o ministro, o governo só avançará com uma nova ponte para a passagem do TGV se ficar provado, através de estudos, que o caminho-de-ferro que está na ponte 25 de Abril não pode suportar o comboio de alta velocidade.
António Mexia acrescenta que a há seis slots (quantidade de comboios que podem atravessar a ponte por hora) livres, e que poderão ser aproveitados para o novo transporte.
O governante lembra que uma nova ponte sobre o rio Tejo poderá custar entre mil milhões a 1,5 mil milhões de euros e que o caminho-de- ferro tem actualmente uma quota de mercado de cinco por cento do tráfego entre Lisboa e Porto.
Mesmo considerando que o TGV é uma prioridade, António Mexia questiona: "vamos ter um TGV ao lado (da actual linha de caminho-de- ferro) que custa 4,4 mil milhões de euros, para quê? para ter 15 por cento de quota?".
De acordo com o ministro, é preciso tornar este projecto sustentável.
Sobre os aeroportos, o ministro das Obras Públicas diz que já deviam ter sido feitas obras de expansão no aeroporto de Lisboa, orçadas em 300 a 400 milhões de euros, e que continuam os estudos para o da Ota.
Segundo António Mexia, o custo dos estudos sobre o aeroporto da Ota são "simbólicos", e a infra-estrutura só avançará "quando fizer sentido", dado que custará quatro mil milhões de euros.
Entretanto, prevê que o metro chegue ao aeroporto de Lisboa dentro de dois anos.
No início da entrevista à Visão, António Mexia começa por justificar as portagens nas SCUTS dizendo que "todos (os portugueses) têm a noção de que as auto-estradas não são de graça, ao contrário do que lhes foi dito".
Garantiu que existirão apenas isenções de pagamento de portagens para os "locais onde se criaram expectativas às pessoas", que deverão ser avaliadas ao fim de quatro anos com base nas alternativas entretanto existentes e o desenvolvimento da zona, de forma a desviar o apoio para outras regiões mais pobres.
Quanto aos passivos das empresas de transporte público, o ministro refere que houve um "sobreinvestimento em muitas áreas" e dá como exemplo o Metro, que foi "obrigado a renovar frotas que sobreviveriam o dobro do tempo".
"Uma decisão tomada sem qualquer critério económico. Há uma mudança cultural a fazer", comenta.
Na entrevista à revista, António Mexia diz ainda que a saída de Cardoso e Cunha da TAP foi uma "decisão inevitável", dada a situação "insustentável" na transportadora aérea, e adianta que o actual presidente da empresa, Fernando Pinto, gostava de ficar após o fim do seu mandato.
Ainda a propósito da saída de Cardoso e Cunha, o ministro diz que a decisão foi concertada com o ministro da Economia, amigo do ex- presidente da TAP, negando qualquer tensão com o seu colega Álvaro Barreto provocada por esta questão ou pela da refinaria da Galp de Matosinhos.
António Mexia, que antes de ser nomeado ministro presidia à Galp, diz também que mantém "óptimas" relações com o ministro do Ambiente, negando qualquer problema após a conferência de imprensa em que Nobre Guedes responsabilizou a petrolífera pelo acidente de Matosinhos.