Ministro diz que investimento espanhol no azeite serviu para mostrar aos alentejanos que olival dá lucro

O ministro da Agricultura destacou hoje a importância do investimento de produtores espanhóis em olivais no Baixo Alentejo, salientando que serviu para "dinamizar" o sector olivícola na região e "mostrar aos alentejanos" que "fazer olival dá lucro".

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"Ainda bem que houve investidores espanhóis que vieram e estão a mostrar aos alentejanos que fazer olival dá lucro", disse Jaime Silva aos jornalistas, durante uma visita à Herdade do Sobrado, propriedade de espanhóis e situada no concelho de Ferreira do Alentejo (Beja).

O governante salientou também que a presença espanhola no Baixo Alentejo "criou uma dinâmica entre os agricultores portugueses" e rejeitou a ideia de que os olivais na região estão a ser dominados por "mãos espanholas".

"Em 22 mil hectares de novos olivais, há cerca de 11 mil que pertencem a investidores espanhóis", precisou o governante.

"Ainda temos o olival tradicional alentejano, que está todo em mãos de portugueses", sublinhou.

Propriedade do grupo espanhol Bogaris, com investimentos em Espanha, Portugal, Chile, Argentina e México, a Herdade do Sobrado ocupa 1.440 hectares, 1.234 dos quais estão ocupados com 353 mil oliveiras.

De acordo com um dos sócios do grupo, Rodrigo Molina, a herdade produz anualmente 12 milhões de quilogramas de azeitona e vai construir um lagar, prevendo produzir 2 milhões e 150 mil quilogramas de azeite por ano.

A "aposta no regadio que está a ser feita no Alentejo" e a existência de "terrenos óptimos, que produzem tudo desde que tenham água", foram as razões apontadas por Jaime Silva para justificar os investimentos espanhóis no sector olivícola na região.

Os espanhóis "perceberam" tudo isto e "vieram a correr" para comprar as terras e começar a produzir azeite, "antes que os portugueses descobrissem que o olival dá um lucro potencial fabuloso", explicou o titular da pasta da Agricultura.

Salientando que "o azeite está na moda" no mercado mundial e que a "a taxa de crescimento de consumo de azeite nos países nórdicos é superior a 10 por cento ao ano", Jaime Silva desafiou os agricultores alentejanos a seguir o exemplo dos espanhóis, referindo que "vale a pena aproveitar a água de Alqueva para converter as culturas tradicionais em olivais ou noutras culturas hortofrutícolas".

Neste sentido, adiantou, os agricultores portugueses que tiverem projectos de investimento em olival vão poder candidatar-se, a partir do final de Novembro, a apoios a fundo perdido, através do Programa de Desenvolvimento Rural.

De acordo com Jaime Silva, trata-se de subsídios que podem chegar a cobrir "50 por cento do investimento e a fundo perdido".

Após a passagem por Ferreira do Alentejo, Jaime Silva seguiu para a Sociedade Agrícola Paço do Conde, na freguesia de Baleizão (Beja), propriedade de portugueses e que produz vinho e azeite, dispondo de uma vinha e de uma adega, de um olival e de um lagar.


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