Moçambique vai ter linha verde para denúncias de corrupção nas finanças públicas

Moçambique vai ter linha verde para denúncias de corrupção nas finanças públicas

Moçambique vai lançar uma linha verde para denúncias de corrupção e más práticas no setor das finanças públicas, iniciativa que junta o Ministério das Finanças e o Ministério Público, anunciou hoje a ministra da tutela, Carla Loveira.

Lusa /

"Nenhuma reforma financeira será eficaz se não for sustentada por princípios sólidos de ética, transparência e responsabilidade", começou por sublinhar a ministra, ao intervir no Conselho Coordenador do Ministério das Finanças, que se realiza hoje na província de Maputo.

"Por isso, anuncio, com particular satisfação, a assinatura iminente de um memorando entre o Ministério das Finanças e o Ministério Público, que instituirá uma linha verde para denúncias de corrupção e más práticas no setor das finanças públicas", disse a ministra das Finanças.

Carla Loveira acrescentou que a iniciativa enquadra-se "no âmbito do combate à corrupção" e "vai consolidar as medidas em implementação no âmbito da ética e deontologia profissional e do reforço do controlo interno".

"Simboliza o nosso compromisso em consolidar uma cultura institucional onde a integridade não é exceção mas a norma, onde o serviço público se pauta por valores e não por interesses pessoais", apontou.

Dirigindo-se aos quadros daquele órgão, reforçou que "a confiança dos cidadãos e dos parceiros" depende da capacidade do Ministério das Finanças "de gerir os recursos públicos com rigor, transparência e sentido de Estado".

"Cada um de nós, em cada função e em cada nível, é guardião dos recursos do povo moçambicano. A boa gestão das finanças públicas não é apenas uma exigência técnica, é um ato de patriotismo e uma expressão de cidadania responsável", destacou.

"Dirigimo-nos, em particular, a todos aqueles que transacionam valores do Estado: esses recursos pertencem ao povo moçambicano e não devem, sob qualquer pretexto, ser utilizados para fins ilícitos ou em benefício de poucos em detrimento da maioria", acrescentou Carla Loveira.

A ministra pediu ainda união e determinação no "propósito comum de construir um Estado eficiente, transparente e inclusivo", que "sirva melhor o seu povo e promova um futuro de prosperidade para todos".

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, avisou em 13 de outubro que o "compromisso" do país com o combate "ao martírio" da corrupção "é inequívoco", sendo necessário acabar com o "sentimento de impunidade que reina" na sociedade e na administração pública.

"A corrupção é um fenómeno que destrói a confiança dos cidadãos nas instituições, mina o tecido social, desvia recursos que deveriam servir o povo, enfraquece a economia, compromete o desenvolvimento e amplia as desigualdades sociais", afirmou Chapo, na abertura da Conferência Nacional sobre Combate à Corrupção, promovido pela Procuradoria-Geral da República.

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