Modelo Continente aposta na internacionalização com comércio especializado
A Modelo Continente pretende apostar na internacionalização através do segmento de comércio especializado, já que o mercado europeu está saturado de hipermercados, afirmou hoje o presidente da empresa.
Nuno Jordão, que falava com jornalistas portugueses em "conference call", a partir do Brasil, avançou que o montante obtido com a alienação do negócio de retalho naquele país vai permitir também acelerar o plano de investimento em Portugal "até ao limite legal".
A empresa do grupo Sonae vai ter mais 100 lojas "a curto prazo", tanto do ramo alimentar como do não alimentar, e agora vai conseguir "mais rapidez na construção e no recrutamento das equipas" em Portugal, explicou Nuno Jordão.
Nos próximos 12 meses, a Modelo Continente pretende investir 250 milhões de euros nos vários formatos, um desenvolvimento focado nas superfícies médias, como Modelo, e nas unidades especializadas.
O presidente da Modelo Continente referiu que o grupo não apresentou pedidos de licença para abertura de hipermercados em Portugal, onde considera existir mais metros quadrados de UCDR (Unidades Comerciais de Dimensão Relevante) por habitante que a média comunitária, "com ajustamento do poder de compra".
No entanto, "as vendas são inferiores à média comunitária", acrescentou.
"É falso" que exista défice de concorrência nas grandes superfícies, reafirmou ainda Nuno Jordão.
Como refere o comunicado a anunciar a operação de venda das 140 lojas no Brasil ao grupo Wal-Mart, além de poder acelerar o plano de investimento em Portugal, a Modelo Continente vai "estudar oportunidades" em outros mercados.
"Vamos entrar em outros países com uma filosofia mista", incluindo a aquisição, pois a Modelo Continente "não acha que deve restringir a sua actividade a Portugal", salientou Nuno Jordão, acrescentando que "não há nenhum mercado concreto em estudo".
A presença em mercados estrangeiros será baseada em segmentos especializados, como a insígnia Sport Zone, que "detém uma posição de liderança" e confere mais confiança para o desenvolvimento.
Quanto ao Brasil, a empresa do grupo de Belmiro de Azevedo não prevê regressar ao sector retalhista, de super e hipermercados, conforme disse o presidente da Modelo Continente.
A Sonae SGPS, através da filial Modelo Investimentos Brasil, vendeu as lojas que detinha no Brasil à norte-americana Wal-Mart, por 635 milhões de euros, anunciou hoje o grupo liderado por Belmiro de Azevedo.
A decisão da Modelo Continente de concretizar este desinvestimento "foi influenciada pela dificuldade da operação em apresentar níveis de rendibilidade superiores ao elevado custo de capital empregue naquele mercado", refere o comunicado.
A Sonae SGPS diz que, com base na informação disponível neste data, estima que esta transacção "impacte os resultados consolidados "em cerca de 60 milhões de euros, contribuindo ainda o correspondente encaixe para o reforço da solidez financeira do grupo Sonae".
Actualmente, a SDB explora 140 lojas localizadas nos estados brasileiros do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e S.Paulo, totalizando 370 mil metros quadrados de área de venda.
No ano passado, aquele conjunto de unidades comerciais registou vendas de cerca de 3,1 mil milhões de reais (cerca de 1,2 mil milhões de euros) e libertou cash-flow operacional (EBITDA) de 120 milhões de reais (45 milhões de euros).