Moeda chinesa atinge valor mais alto face ao dólar desde julho de 2022
O yuan atingiu hoje o valor mais alto face ao dólar desde julho de 2022, após sinais de apoio do banco central chinês e a poucos dias do previsto encontro entre os presidentes da China e dos Estados Unidos.
Pouco antes das 11:00 locais (04:00 em Lisboa), a taxa `offshore` - negociada em mercados internacionais, como Hong Kong - situava-se em cerca de 6,6962 yuan por dólar, após a moeda chinesa valorizar 0,11% face ao último fecho.
A taxa `onshore`, negociada no mercado interno chinês, avançou 0,18% e ultrapassou também o anterior máximo, registado no início de 2023, atingindo 6,6973 yuan por dólar.
O Banco Popular da China (BPC, banco central) fixou hoje a taxa de referência em 6,7521 yuan por dólar, naquela que foi, segundo a agência Bloomberg, a oitava sessão consecutiva de valorização face à moeda norte-americana, a sequência mais longa desde 2023.
A taxa fixada diariamente pelo BPC é determinante para a cotação do yuan no mercado interno, uma vez que a moeda apenas pode oscilar até 2% em cada sentido em torno desse valor.
Segundo a Bloomberg, as recentes decisões do banco central indicam que Pequim se sente "confortável" com um yuan mais forte antes do encontro entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo norte-americano, Donald Trump, nos Estados Unidos.
O BPC continua, no entanto, a fixar a taxa de referência de forma a favorecer uma valorização gradual da moeda, evitando movimentos demasiado rápidos.
Alguns analistas consideram que a proximidade do encontro entre Xi e Trump poderá explicar parcialmente a evolução recente do yuan.
Trump tem acusado repetidamente a China de desvalorizar artificialmente a moeda para favorecer as exportações, e Pequim poderá procurar evitar que a questão cambial se torne uma nova fonte de tensão durante as negociações bilaterais.
O yuan tornou-se uma das moedas asiáticas com melhor desempenho este ano, apoiado pela força das exportações chinesas.
A valorização manteve-se apesar das expectativas de subida das taxas de juro nos Estados Unidos, que têm pressionado em alta as taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro norte-americano e ampliado a diferença face à dívida soberana chinesa.
No início de 2025, o yuan chegou perto do valor mais baixo desde 2007, perante o regresso de Trump à Casa Branca e os receios sobre o impacto de uma escalada tarifária entre as duas maiores economias mundiais, que posteriormente resultou, durante um período, num bloqueio comercial `de facto`.
Na altura, analistas apontaram para uma intervenção de Pequim destinada a conter a desvalorização da moeda, ao mesmo tempo que procurava preservar a competitividade das exportações.
As exportações deram em 2025 o maior contributo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês desde 1997, representando 32,7% da expansão económica, num contexto de persistente fraqueza da procura interna.