Montante transferido por ano pelo Estado para SIRESP fica "sempre abaixo" dos 26 milhões de euros

Montante transferido por ano pelo Estado para SIRESP fica "sempre abaixo" dos 26 milhões de euros

O presidente da empresa que gere o SIRESP disse hoje que o montante transferido anualmente pelo Estado fica "sempre abaixo" dos 26 milhões de euros da indemnização compensatória, garantindo "um extraordinário decréscimo dos custos" desde 2022.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Cotrim - Lusa

"O valor que o Estado está anualmente a pagar é sempre abaixo do valor da indemnização compensatória", afirmou o tenente-general Paulo Viegas Nunes, em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que tomou posse, em maio.

Segundo Viegas Nunes, o Estado paga anualmente à empresa responsável pelas comunicações de emergência uma indemnização compensatória entre 19 milhões e 26 milhões de euros, uma quantia que "varia ao longo dos anos, porque os custos vão sendo distribuídos".

Explicou que a indemnização compensatória que todos os anos o Estado transfere para a SIRESP SA serve para pagar às seis empresas que venceram em 2022 o concurso público para a operação e manutenção do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), cerca de 11 milhões de euros, além das intervenções nas infraestruturas, manutenção da rede e despesas correntes.

"Estamos a falar de uma infraestrutura que nasceu em 2006, tem 20 anos, estamos a falar da substituição das antenas, de todas as infraestruturas, de todos os equipamentos, e que por lei nós temos a obrigação de fazer porque se há um acidente, uma intempérie que obriga a reforçar todos os equipamentos, nós precisamos de investir e temos que fazer um investimento constante da manutenção e na operação da rede", sublinhou.

Viegas Nunes destacou o "extraordinário decréscimo de custo" por utilizador, frisando que vão ser agora tornados públicos, através da página da internet, os relatórios de execução orçamental e de despesas da SIRESP SA, que não eram divulgados há dois anos por ainda não terem sido aprovadas as contas.

Segundo adiantou, os custos desceram de "três mil e tal euros por utilizador para um valor próximo dos 250 euros este ano".

"É isto que temos que falar. E depois, temos que ser justos. Temos que ser justos porque o que se fala, fala-se essencialmente de pessoas, fala-se de casos. Porque é que não se fala de projetos? Porque é que não se fala do que é o comportamento efetivo da rede? Porque é que não se pedem números? Porque é que não se faz um escrutínio sobre aquilo que efetivamente é genuinamente o comportamento da rede?", questionou.

O responsável foi questionado sobre as várias suspeitas lançadas pelo ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI), Ricardo Carrilho, que acusou a SIRESP SA de receber anualmente a indemnização compensatória de cerca de 26 milhões euros "sem qualquer fiscalização" e que se transformou num "sorvedouro de dinheiros públicos".

Viegas Nunes esclareceu que presidiu interinamente à reunião do Conselho de Utilizadores do SIRESP (órgão consultivo que se pronuncia sobre a cobertura da rede, qualidade das comunicações e apoio prestado aos utilizadores) após Ricardo Carrilho ter manifestado indisponibilidade.

"Quando assumi funções solicitei ao Dr. Ricardo Carrinho, que era quem naturalmente tutelava a Secretaria-Geral do MAI, o agendamento de uma reunião do Conselho de Utilizadores para explicar o que pretendíamos fazer. E aquilo que aconteceu foi que o Dr. Ricardo Carrilho disse que não tinha condições para assegurar a realização do Conselho de Utilizadores", contou.

Luís Neves nomeou temporariamente Viegas Nunes para aquele conselho, que, segundo o mesmo responsável, "não fica beliscado", uma vez que continuam a ter assento a Secretaria-Geral, a SIRESP SA e todos os elementos da comunidade de utilizadores".

Logo a seguir, relatou, o ex-secretário-geral do MAI alegou que "não estaria em condições de validar a indemnização compensatória" por "não ter acesso ao Conselho de Utilizadores.

"A validação da indemnização compensatória não é feita por essa via. É feita por um relatório periódico, mensal, que a SIRESP SA produz sobre aquilo que é o desempenho operacional e técnico da rede", afirmou, sublinhando que "há um escrutínio pleno e completo".

Avançou que desde julho não é enviado qualquer montante para a SIRESP SA, tendo a Secretaria-Geral do MAI transferido este ano cerca de 17 milhões de euros, começando a empresa a entrar "numa situação complicada" para gerir o orçamento.

Viegas Nunes lamentou também que, após a reunião do Conselho de Utilizadores, Ricardo Carrilho tenha extinto em julho o Centro de Operações e Gestão (COG) do SIRESP -- o "centro nevrálgico" da rede de comunicações de emergência.

"Tive pessoalmente acesso à informação da extinção do COG por publicação de um despacho no Diário da República. Eu não fui contactado, não fui consultado. Não foi dito qual era a data em que o COG ia ser extinto e, muito menos, discutidas as implicações da extinção do COG", disse, acrescentando que o ministro teve que assinar um despacho para suspender aquela decisão.

Referiu que pediu explicações ao ex-secretário-geral do MAI sobre esta extinção, mas não obteve resposta.

"O papel da Secretaria-Geral do MAI não é tutela da SIRESP. O papel da Secretaria-Geral do MAI é tão somente a entidade gestora do contrato de serviço público que a SIRESP presta. A Secretaria-Geral do MAI não dá ordens à SIRESP. Quem dá orientações políticas, estratégicas à SIRESP SA é o ministro da Administração Interna", sustentou.

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