Montenegro desdramatiza previsões da Comissão Europeia de défice de 0,1% em Portugal

Montenegro desdramatiza previsões da Comissão Europeia de défice de 0,1% em Portugal

O primeiro-ministro refere que existe uma estrutura do poder público "suficientemente forte" para contrariar a previsão de Bruxelas.

RTP /
António Cotrim - Lusa

Luís Montenegro desdramatizou, esta quinta-feira, as previsões da Comissão Europeia que apontam para um défice de 0,1% este ano para Portugal.

"Não há razão para dramatizar a situação", disse o chefe do Executivo durante o discurso da inauguração do Hospital CUF Leiria. "Pelo contrário, há razão para estarmos conscientes, para termos sentido de responsabilidade e prudência, mas ao mesmo tempo muita confiança", acrescentou.

 "Temos uma estrutura de poder público, local, regional e nacional, suficientemente fortes e fortalecidos para, mesmo neste contexto de dificuldade, podermos contrariar esta previsão", afirmou Luís Montenegro.

A Comissão Europeia está mais pessimista que o Governo e antecipa que Portugal passará de excedente a um défice de 0,1% do PIB em 2026, com o impacto dos apoios após as tempestades e das reduções de impostos.

Luís Montenegro aponta duas razões para as previsões: o contexto internacional e o comboio de tempestades do início do ano.

“Eu próprio já tinha antecipado que este ano seria um ano mais difícil do que aquilo que perspetivávamos. Mas quero dizer-vos que confio que em 2026 vai acontecer o que aconteceu em 2025 e já tinha acontecido em 2024: mesmo com estas previsões, vamos chegar ao final do ano e vamos superar um exercício que é legítimo e normal de antecipação daquilo que ainda não aconteceu”, observou.

Luís Montenegro acrescentou que o Governo não tem “nenhuma obsessão com a situação financeira superavitária do país” e que não está “obrigado, por nenhuma razão, a ter um desempenho que resulte num superavit orçamental no final do ano”.

Segundo as previsões económicas de primavera, divulgadas esta quinta-feira, Bruxelas prevê um défice de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 0,4% do PIB em 2027, assumindo a manutenção das políticas, enquanto o Governo projeta um saldo orçamental nulo este ano.

Em 2026, a queda prevista reflete o impacto das medidas de apoio governamental tomadas em resposta à série de tempestades de janeiro e fevereiro, explica o executivo comunitário.

c/Lusa

 

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