Montepio Geral deixa BAO e vende acções à Geocapital

O Montepio Geral vendeu a totalidade das acções que detinha no Banco da África Ocidental (BAO), da Guiné-Bissau, ao grupo Geocapital, do magnata chinês Stanley Ho, revelou à Lusa fonte do gabinete de comunicação do banco português.

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Segundo uma assessora do banco, o Montepio Geral abandonou a participação naquele banco guineense devido à decisão da Administração em "concentrar a acção nas actividades principais do grupo, que se desenvolvem em território nacional".

O Montepio Geral detinha 15 por cento das acções do BAO, mas não foram revelados números da transacção.

"O esforço de gestão de instituições financeiras em África, como era o caso do BAO (na Guiné-Bissau) ou do BDC (em Moçambique), era bastante grande, nomeadamente na aplicação de recursos de capital humano", disse a mesma.

Em Moçambique, o Montepio Geral era também accionista do BCD e vendeu recentemente a totalidade da sua participação aos sul-africanos do First National Bank.

Para já, acrescentou a fonte do Gabinete de Comunicação, o Montepio Geral mantém a participação na Caixa Económica de Cabo Verde.

A Lusa sabe que a entrada da Geocapital na banca da Guiné-Bissau passa pela aquisição de 30 por cento das acções do BAO, processo que está em curso e a ser avaliado quer pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) quer pelo Ministério das Finanças guineense.

No entanto, há a possibilidade de, a curto ou médio prazo, o BAO proceder a um aumento de capital, tendo uma outra fonte ligada ao processo indicado que, a acontecer, a Geocapital poder assumir 60 por cento das acções, tornando-se a maior accionista.

O panorama das acções do banco privado guineense vai ser alterado, uma vez que vários accionistas já venderam parte da participação que detinham no BAO.

Carlos Domingos Gomes, empresário guineense, com 14 por cento das acções, bem como o seu filho, Carlos Gomes Júnior, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ex-primeiro-ministro e empresário, com 15,95 por cento, vão reduzir as suas participações, disse a mesma fonte.

O Banco Efisa, segundo a fonte, vai manter a participação de 15 por cento, enquanto não se conhecem as intenções do empresário português Gonçalo Sequeira Braga, vogal do Conselho de Administração, que detém 7,27 por cento das acções.

Outro dos accionistas é o International Finance Corporation (ligado ao Banco Mundial), com 15 por cento. Os restantes 30 por cento do BAO estão divididos por vários accionistas.

Actualmente, o BAO, um dos três bancos comerciais na Guiné-Bissau, dispõe de quatro balcões no país.

Além da expansão da rede de agências, o BAO tem em projecto a instalação de serviços de multibanco, uma novidade na Guiné-Bissau, e terminais de pagamento automático, além da criação de um "web site" e da introdução dos serviços da rede "swift".


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