Mota-Engil assina gestão de ferrovia na RDCongo até ao Lobito
A construtora portuguesa Mota-Engil assinou um contrato de concessão de 30 anos para operar uma ferrovia de transporte de mercadorias da República Democrática do Congo (RDCongo) até Angola, no âmbito do Corredor do Lobito.
"A Mota-Engil África será responsável, durante 30 anos, pela exploração, gestão e manutenção da infraestrutura ferroviária para transporte de mercadorias, minerais, líquidos e gases no corredor que integra a Concessão Ferroviária do Corredor do Lobito (em Angola) e, subsequentemente, do porto de Lobito a Sakania, na província de Haut-Katanga no sul da RDCongo", afirma a empresa num comunicado enviado à Comissão do Mercado e Valores Mobiliários.
Ao longo do contrato, o investimento deve chegar aos 1.800 milhões de dólares [1.544 milhões de euros]", escreve ainda a empresa no comunicado, que especifica que o acordo incide sobre a "exploração, operação, modernização, reabilitação e manutenção do Corredor do Lobito, mais especificamente na secção de Dilolo a Sakania (cerca de 1.037 km) na RDCongo".
Esta concessão, conclui a empresa, "irá permitir a conexão entre a fronteira da Zâmbia (Sakania) e a fronteira de Angola (Dilolo), assegurando assim a ligação ferroviária de todas as minas na região de Lualaba e Haut-Katanga, na RDCongo, ao porto do Lobito, em Angola, e aos mercados internacionais".
O troço angolano do Corredor do Lobito --- que a Mota-Engil gere em conjunto com o Grupo Trafigura --- recebeu apoio financeiro da Corporação Internacional de Financiamento para o Desenvolvimento dos EUA, que em dezembro anunciou ter assinado uma carta de interesse com a Mota-Engil para um financiamento de até mil milhões de dólares, com o objetivo de ajudar a empresa portuguesa a reparar e a explorar a linha ferroviária na RDCongo, país africano que é o segundo maior produtor mundial de cobre e a principal fonte de cobalto, um minério utilizado em baterias.
O Corredor do Lobito é um eixo ferroviário com 1.300 quilómetros de extensão que atravessa cinco províncias angolanas - Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste - e se prolonga até à RDCongo e futuramente à Zâmbia, ligando o Porto do Lobito, no Atlântico, à região mineira do Copperbelt.
Aproximadamente 80% do potencial de mercado do corredor é gerado pela região do Katanga, na RDCongo, de onde provêm exportações de cobalto, cobre, níquel e lítio com destino ao mercado internacional.
O futuro mecanismo de governança deste corredor, que tem investimentos prometidos pela União Europeia, bancos multilaterais, Estados Unidos da América e instituições multilaterais de financiamento, será a Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Lobito (SDCL), uma empresa pública criada em janeiro de 2026 com a missão de administrar, coordenar, supervisionar e promover as atividades de desenvolvimento económico do Corredor e atrair investimento estratégico nos setores da agricultura, indústria, turismo e serviços.
A concessão do Corredor do Lobito é operada pela LAR - Lobito Atlantic Railway -, que venceu em 2023 uma concessão de 30 anos e integra três empresas europeias, Mota-Engil, Trafigura e Vecturis.