Movijovem responsabiliza autarquia da Lousã por encerramento da Pousada da Juventude
Lousã, 20 fev (Lusa) -- A comissão liquidatária da Movijovem responsabiliza a Câmara da Lousã pelo encerramento temporário da Pousada da Juventude local, imputando à autarquia uma dívida de 163 mil euros, foi hoje revelado.
Segundo uma carta que o presidente da comissão liquidatária da Movijovem, João Bibe, enviou à Assembleia Municipal da Lousã (AML), os custos de funcionamento da Pousada são "muito superiores às receitas geradas".
A unidade de alojamento jovem, construída na última década, num antigo baldio que estava na posse da autarquia, registava "uma taxa de ocupação inferior a 20 por cento", o que levou aquela comissão a optar pelo encerramento durante o inverno.
Das 40 pousadas da juventude que integram a rede da Movijovem, encerraram 12 no período sazonal, que decorrerá até 14 de março, incluindo a da Lousã.
Em resposta a um ofício da mesa da AML, a que preside o socialista Amândio Torres, sobre a situação da Pousada, João Bibe nega que este equipamento tenha sido "investimento e conquista" da Câmara da Lousã.
A carta do presidente da comissão liquidatária foi lida por Amândio Torres numa sessão ordinária da Assembleia Municipal que terminou hoje de madrugada.
Os problemas financeiros da Movijovem "não se compadecem com a demora" na liquidação da dívida do município, disse o antigo presidente da Autoridade Florestal Nacional, citando a carta de João Bibe.
Para o deputado municipal Daniel Rodrigues, do PSD, a Pousada "não fecharia" se a Câmara da Lousã, liderada pelo socialista Luís Antunes, "tivesse pagado a dívida" de 163 mil euros à Movijovem.
"Só uma cambada de garotos é que pode vir dizer que as pessoas não estão a cumprir o que foi assumido", acusou Rui Lopes, do PS, antes de o presidente do executivo confirmar que "a dívida existe", mas que a resposta de João Bibe à mesa da AML "é inadequada".
Luís Antunes esclareceu que a dívida estava abrangida pelo Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), a que a Câmara da Lousã aderiu, tendo sido estabelecido "um acordo de pagamento", que passou por uma reunião, em outubro passado, entre Luís Antunes e João Bibe.
A autarquia tem uma dívida à Pousada da Lousã, "mas o próprio Estado, através do PAEL, não disponibilizou o dinheiro até ao momento", acrescentou.
"Continuamos sem entender os motivos do encerramento", disse o autarca, realçando que a unidade de alojamento esteve "sempre muito bem classificada" entre mais de 40 pousadas.
A Movijovem investiu mais de dois milhões de euros na Pousada da Lousã, cuja construção obrigou ao desmantelamento do único parque de campismo da vila, instalado num terreno comunitário que acolheu antigamente a feira de gado.