Movimento Defesa da Língua convicto de que PS "não mexerá um dedo" para levar televisões portuguesas para a região
Viana do Castelo, 19 Dez (Lusa) - A porta-voz do Movimento Defesa da Língua (MDL) manifestou-se hoje "absolutamente convicta" de que a maioria socialista da Junta da Galiza "não mexerá um único dedo" para possibilitar a recepção das televisões portuguesas naquela região espanhola.
"O PS é completamente contra essa possibilidade, por mais que, em público, queira fazer crer que é a favor", disse, à Agência Lusa, Teresa Carro, porta-voz do MDL, uma organização da Galiza que trabalha em defesa da língua e da cultura daquela região autónoma de Espanha.
A Junta da Galiza é liderada por uma coligação formada pelo PS, partido que detém a maioria, e pelo Bloco Nacionalista Galego (BNG), que há poucos dias reclamou no Parlamento espanhol a tomada de medidas para que as televisões portuguesas passem a transmitir na Galiza.
O primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, manifestou abertura para estudar essa possibilidade, mas Teresa Carro considera que foram apenas "palavras vãs" e manifesta-se "absolutamente convicta" de que "ninguém no PS mexerá um único dedo" para concretizar aquela medida.
Lembrou que, apesar de a Galiza ser uma região autónoma, o PS tem sede em Madrid, pelo que o Governo de Emílio Perez Touriño "tem muito pouca margem de manobra" neste processo, já que "terá que obedecer às directrizes do partido".
"Cada vez mais se assiste a uma tentativa de abafar o galego, em benefício do castelhano, e a abertura às televisões portuguesas só complicaria este processo. O galego e o português são duas variantes da mesma língua e se os canais portugueses chegarem à Galiza, as pessoas vão começar a perceber que há muita gente importante a falar esta língua, e isso parece que incomoda muita gente", referiu a porta-voz do MDL.
O castelhano e o galego são línguas oficiais de Espanha, mas Teresa Carro lembrou que neste momento, na Galiza, dos seis canais públicos, apenas um canal de televisão "tem alguns programas em galego", enquanto os restantes cinco são "100 por cento em castelhano".
"Para defesa da nossa língua, considero completamente imprescindível que as televisões portuguesas cheguem à Galiza, e esta é, aliás, uma luta que o MDL vem desenvolvendo há uns cinco ou seis anos a esta parte", acrescentou.
Teresa Carro considera que, apesar do "alheamento" do PS, ainda será possível conseguir levar as televisões portuguesas para a Galiza, em sinal aberto, desde que se crie "um movimento social muito forte" que apoie e dê força ao BNG, "esse sim com sede na Galiza e firmemente empenhado neste processo".
A Lusa tentou, insistentemente, obter a posição do presidente da Junta da Galiza sobre este assunto, mas ainda não foi possível.
O primeiro-ministro de Espanha já referiu que a maior dificuldade do processo se relaciona com a falta de espaço radioeléctrico, dadas as licenças de transmissão já concedidas na Galiza.
"Posso confirmar que o governo está aberto a estudar a possibilidade de dar meios técnicos adicionais para a difusão da televisão portuguesa na Galiza. Mas este é um tema complexo, com dificuldades técnicas, jurídicas e económicas", afirmou.
Esta abertura foi elogiada pela Fundação Via Galega (FVG) - organização da Galiza vocacionada para a promoção de um mais estreito diálogo entre Espanha e os demais países e territórios do sistema linguístico galaico-português - que defendeu a necessidade de haver vontade política para que as dificuldades técnicas sejam "facilmente" superadas.
Para a FVG, cabe agora à Junta da Galiza "dar um passo em frente" e proceder à "análise rigorosa e profunda" que o primeiro-ministro espanhol sublinhou ser necessária antes de se proceder à efectiva materialização do processo de recepção das televisões portuguesas em território galego.
O ministro dos Assuntos Parlamentares português, Augusto Santos Silva, já disse que o Governo português segue "com interesse" a possibilidade das televisões portuguesas passarem a transmitir para a Galiza e que irá colaborar no desenvolvimento do projecto.
"No âmbito das minhas competências e no respeito das normas legais aplicáveis, colaborarei nesse desenvolvimento", assegurou o ministro português que tutela a pasta da Comunicação Social.
Também o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Carlos Lage, considerou "interessante" a ideia de transmissão das televisões portuguesas na Galiza, tendo afirmado que vai analisar o assunto com o governo galego.
VCP.