Mundo enfrenta "a primeira crise verdadeiramente global de energia"

Mundo enfrenta "a primeira crise verdadeiramente global de energia"

Os impactos da invasão russa da Ucrânia, em particular os constrangimentos nos mercados de gás natural liquefeito e a opção da OPEP+ pelo corte na produção de petróleo, empurraram o mundo para “a primeira crise verdadeiramente global de energia”. A avaliação foi deixada esta terça-feira pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, durante uma conferência em Singapura.

Carlos Santos Neves - RTP /
A recente decisão, por parte da OPEP+, de reduzir a produção em dois milhões de barris de petróleo por dia é “especialmente arriscada”, observa Fatih Birol Isabel Kua - Reuters

Foi por ocasião da Semana Internacional de Energia que o diretor-geral da AIE chamou a atenção para o duplo desafio dos mercados de gás natural liquefeito e do petróleo.

Por um lado, sublinhou o economista turco Fatih Birol, citado pela agência Reuters, é expectável que o incremento das importações europeias de gás natural liquefeito e a possibilidade de uma procura renovada da China por este combustível acabem por “apertar” o mercado – tendo em conta a previsão, para o próximo ano, de um input em nova capacidade de apenas 20 mil milhões de metros cúbicos.

Em simultâneo, as economias internacionais terão de lidar com o impacto da decisão, por parte da Organização de Países Exportadores de Petróleo e respetivos aliados (OPEP+), de cortar a produção em dois milhões de barris por dia. Uma escolha “arriscada”, observou o Birol, quando a AIE estima em quase dois milhões de barris diários o crescimento da procura global em 2022.“Considero esta decisão verdadeiramente infeliz”, afirmou Fatih Birol, referindo-se ao corte na produção fixado pela OPEP+.


Nas palavras do diretor-geral da Agência Internacional de Energia, é “especialmente arriscado” face ao quadro de “várias economias em todo o mundo à beira da recessão”.

Outra ideia enunciada pelo responsável em Singapura foi a de que o mundo vai continuar a necessitar de petróleo russo a fluir, mesmo com a imposição de um teto aos preços.

Recorde-se que o G7 chegou a acordo, no mês passado, para limitar, até ao início de dezembro, a venda de petróleo russo, por via de um teto nos preços.

Birol contrapôs, ainda assim, que o atual contexto de crise energética pode encontrar uma curva de recuperação se vingar a via das denominadas energias limpas e renováveis. Esta transição encontra na “segurança energética” o “motor número um”.

c/ agências
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