Município de Anadia contabiliza prejuízos superiores a 5 milhões de euros
O Município de Anadia revelou hoje que os prejuízos provocados no concelho pela passagem da depressão Kristin, a 28 de janeiro, ultrapassaram os cinco milhões de euros (ME).
Em comunicado enviado à agência Lusa, a Cãmara indicou que o concelho registou danos "muito significativos" na rede viária, taludes, muros de suporte, escolas, equipamentos desportivos e culturais, num valor superior a 2,8 ME.
"A tempestade provocou também danos nas margens dos rios com erosões severas, arrastamento de terras, destruição de taludes naturais e instabilização de margens em vários troços dos cursos de água que atravessam o município, com prejuízos na ordem dos 600 mil euros", acrescentou.
Nas freguesias e uniões de freguesia, os prejuízos rondaram os 850.000 euros, destacando-se entre as mais afetadas Sangalhos (177.000 euros), Arcos e Mogofores (132.500 euros) e Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas (102.500 euros)
Registaram-se ainda estragos em Avelãs de Caminho (65.000 euros), Avelãs de Cima (53.000 euros), Moita (50.000 euros), São Lourenço do Bairro (85.000 euros), Tamengos, Aguim e Óis do Bairro (63.000 euros), Vila Nova de Monsarros (50.000 euros) e Vilarinho do Bairro (65.000 euros).
As coletividades, instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e entidades religiosas reportaram danos de cerca de 235.000 euros, sobretudo em coberturas, infiltrações e estruturas de apoio.
O Município de Anadia, no distrito de Aveiro, indicou também que, no âmbito das medidas de apoio aos cidadãos, foram submetidas e validadas 37 candidaturas ao Regime Simplificado de Apoio às Habitações, com o montante das candidaturas aprovadas a ascender a 224.627 euros.
Segundo a autarquia, o levantamento realizado "permitirá fundamentar os pedidos de apoio" ao Governo, "priorizar intervenções urgentes e garantir a reposição da normalidade nas freguesias, habitações e infraestruturas municipais".
Para o presidente da Câmara de Anadia, Jorge Sampaio, "valeu a pena lutar pela inclusão" de Anadia na lista de municípios abrangidos pelo estado de calamidade.
"Se tal não tivesse acontecido, nenhum destes apoios, nem às famílias, nem às freguesias, nem às nossas infraestruturas, seria hoje possível. Esta decisão foi determinante para garantir justiça, equidade e capacidade de resposta no nosso território", disse citado no mesmo comunicado.
O autarca manifestou ainda reconhecimento às juntas e uniões de freguesia, "que estiveram no terreno desde a primeira hora", considerando que "o seu papel foi e continua a ser absolutamente inestimável".
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.