Museu da Indústria de Conservas será instalado na única fábrica portuguesa com método artesanal
Matosinhos, 21 Nov (Lusa) - O futuro Museu Vivo da Indústria Conserveira vai ser instalado na Fábrica Pinhais, a única unidade do sector em Portugal que mantém uma produção artesanal, revelou hoje o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto.
"Esta fábrica é hoje uma bolsa de resistência de uma indústria que já foi a maior do concelho. Nós queremos perpetuar essa indústria e vamos criar um museu numa das alas da fábrica", afirmou o autarca.
Guilherme Pinto falava na festa de homenagem a António Rodrigues Pinhal Júnior, fundador da fábrica, que hoje completou 91 anos e recebeu o título de Cidadão Honorário de Matosinhos.
"Temos a obrigação de olhar para os que se distinguem e apontá-los como exemplo", frisou o presidente da autarquia.
A festa de homenagem, que obrigou ao encerramento da produção por um dia, juntou um grande número de trabalhadores e familiares, servindo ainda para o lançamento de um livro sobre a vida de António Pinhal Júnior, numa edição conjunta da Câmara de Matosinhos e da Fábrica Pinhais.
Esta fábrica de conservas caracteriza-se por ser a única em Portugal que mantém uma produção artesanal.
O facto de não ser fácil encontrar, em Portugal, uma lata de sardinhas com a designação `Pinhais` explica-se por a totalidade da produção se destinar à exportação.
A fábrica compra diariamente peixe fresco na Lota de Matosinhos, estando fora de causa a utilização de produtos congelados.
Todo o processo de tratamento da sardinha é feito manualmente até à sua colocação nas caixas de lata.
A qualidade do peixe e do azeite utilizado nestas conservas torna o seu preço elevado em relação a produtos idênticos produzidos em Portugal, mas faz com que estas conservas sejam compradas pelas principais cadeias internacionais de hotéis.
"Cada lata de conserva exportada desta fábrica leva ao mundo a chancela de qualidade de Matosinhos", frisou Guilherme Pinto, salientando a importância que a autarquia atribui a esta unidade fabril, cujo interior recorda os tempos em que a indústria conserveira dava os primeiros passos no concelho.
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