Economia
Guerra no Médio Oriente
"Não é sustentável". Ásia aumenta uso de carvão em resposta à crise energética
Do Bangladesh à Coreia do Sul, os governos asiáticos estão a usar o carvão para compensar a queda na importação de energia, grande parte da qual provém do Médio Oriente. Os especialistas alertam que esta estratégia "não é sustentável".
Numa tentativa de contornar os défices energéticos provocados pela guerra no Médio Oriente, vários países asiáticos estão a intensificar o uso do carvão, o combustível fóssil mais poluente. Este aumento está a preocupar especialistas do clima, que alertam para um impacto ambiental devastador.
A Coreia do Sul, por exemplo, adiou o encerramento das centrais a carvão e levantou os limites à produção de eletricidade a partir deste combustível. Na Tailândia, o Governo aumentou a produção na maior central a carvão do país.
Também as Filipinas, que declararam uma “emergência energética nacional” devido à guerra, planeiam intensificar as operações das suas centrais a carvão.
No sul da Ásia, a Índia, que depende do carvão para quase 75 por cento da sua produção de energia, pediu às centrais a carvão que funcionassem na capacidade máxima e evitassem interrupções planeadas.
O Bangladesh aumentou já no mês passado a produção de energia a carvão e as importações deste combustível fóssil.Carvão é “a forma mais rápida” de substituir GNL
Muitos países asiáticos dependem do gás natural liquefeito (GNL) para a produção de eletricidade e para indústrias como a de fabrico de fertilizantes. Antes da guerra, estava previsto que a procura de GNL na Ásia duplicasse nos próximos 25 anos.
Promovido como um combustível de transição na passagem do carvão para energias mais limpas, um quinto dos carregamentos mundiais de GNL passava pelo Estreito de Ormuz, agora encerrado.
“O mercado global passou, no espaço de quatro semanas, de um excedente de oferta bastante significativo para um défice muito grave. E isso não vai apenas provocar picos de preços, mas também uma verdadeira escassez de combustível”, disse ao Guardian o diretor-geral de energia e recursos do Eurasia Group, Henning Gloystein.
“Os países que possuem reservas de carvão vão recorrer às mesmas, porque é a forma mais rápida e económica de substituir o GNL”, acrescentou.Especialistas climáticos lançam alertas
Para os especialistas em assuntos climáticos, a atual crise energética deve servir de alerta para que os governos invistam em energias renováveis, capazes de oferecer um abastecimento mais estável e não sujeito a choques de preços.
“O impacto do carvão no clima e na saúde é devastador e desastroso e isto está provado há muitas décadas. Não só agrava os riscos climáticos, como também a poluição e a toxicidade”, lembrou ao Guardian Pauline Heinrichs, especialista em clima e energia do King’s College London.
As energias renováveis não devem ser vistas “apenas como uma prioridade climática, mas, em última análise, como uma garantia de segurança energética de forma mais ampla na Ásia”.
“Não é sustentável depender do carvão”, acrescentou Dinita Setyawati, analista de energia para a Ásia no centro de reflexão Ember. “As energias renováveis produzidas localmente são definitivamente o caminho a seguir para melhorar a segurança energética e a resiliência”.
Por toda a Ásia, os países estão à procura de formas de reduzir o consumo de energia, com as Filipinas e o Sri Lanka a introduzirem semanas de quatro dias para muitos funcionários públicos e o Vietname a incentivar as pessoas a trabalharem a partir de casa.
O Bangladesh encerrou as suas universidades mais cedo, antecipando as férias, e introduziu mais cortes de energia planeados, enquanto o Paquistão passou as escolas para o ensino à distância.
c/ agências
A Coreia do Sul, por exemplo, adiou o encerramento das centrais a carvão e levantou os limites à produção de eletricidade a partir deste combustível. Na Tailândia, o Governo aumentou a produção na maior central a carvão do país.
Também as Filipinas, que declararam uma “emergência energética nacional” devido à guerra, planeiam intensificar as operações das suas centrais a carvão.
No sul da Ásia, a Índia, que depende do carvão para quase 75 por cento da sua produção de energia, pediu às centrais a carvão que funcionassem na capacidade máxima e evitassem interrupções planeadas.
O Bangladesh aumentou já no mês passado a produção de energia a carvão e as importações deste combustível fóssil.Carvão é “a forma mais rápida” de substituir GNL
Muitos países asiáticos dependem do gás natural liquefeito (GNL) para a produção de eletricidade e para indústrias como a de fabrico de fertilizantes. Antes da guerra, estava previsto que a procura de GNL na Ásia duplicasse nos próximos 25 anos.
Promovido como um combustível de transição na passagem do carvão para energias mais limpas, um quinto dos carregamentos mundiais de GNL passava pelo Estreito de Ormuz, agora encerrado.
“O mercado global passou, no espaço de quatro semanas, de um excedente de oferta bastante significativo para um défice muito grave. E isso não vai apenas provocar picos de preços, mas também uma verdadeira escassez de combustível”, disse ao Guardian o diretor-geral de energia e recursos do Eurasia Group, Henning Gloystein.
“Os países que possuem reservas de carvão vão recorrer às mesmas, porque é a forma mais rápida e económica de substituir o GNL”, acrescentou.Especialistas climáticos lançam alertas
Para os especialistas em assuntos climáticos, a atual crise energética deve servir de alerta para que os governos invistam em energias renováveis, capazes de oferecer um abastecimento mais estável e não sujeito a choques de preços.
“O impacto do carvão no clima e na saúde é devastador e desastroso e isto está provado há muitas décadas. Não só agrava os riscos climáticos, como também a poluição e a toxicidade”, lembrou ao Guardian Pauline Heinrichs, especialista em clima e energia do King’s College London.
As energias renováveis não devem ser vistas “apenas como uma prioridade climática, mas, em última análise, como uma garantia de segurança energética de forma mais ampla na Ásia”.
“Não é sustentável depender do carvão”, acrescentou Dinita Setyawati, analista de energia para a Ásia no centro de reflexão Ember. “As energias renováveis produzidas localmente são definitivamente o caminho a seguir para melhorar a segurança energética e a resiliência”.
Por toda a Ásia, os países estão à procura de formas de reduzir o consumo de energia, com as Filipinas e o Sri Lanka a introduzirem semanas de quatro dias para muitos funcionários públicos e o Vietname a incentivar as pessoas a trabalharem a partir de casa.
O Bangladesh encerrou as suas universidades mais cedo, antecipando as férias, e introduziu mais cortes de energia planeados, enquanto o Paquistão passou as escolas para o ensino à distância.
c/ agências