Não há risco de bancos falharem nas metas da `troika`, afirma Carlos Costa
Lisboa, 03 fev (Lusa) - O Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse hoje que "não há riscos" de os bancos portugueses falharem no cumprimento das metas definidas pela `troika`, em especial no que concerne ao cumprimento dos rácios de capital mínimos exigidos.
O responsável pelo supervisor bancário participou hoje numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos (APB), em Lisboa, sobre risco sistémico no setor financeiro.
Referindo-se em específico às metas mínimas exigidas aos bancos portugueses para os rácios de capital (usados como medida de avaliação da solvabilidade de uma instituição bancária), Carlos Costa disse que não "há riscos de falhar nenhum objetivo" já que, em última necessidade, os bancos podem recorrer à linha de recapitalização de 12 mil milhões de euros destinada pela `troika` ao setor financeiro no âmbito do pacote de ajuda externa.
"Os bancos são encorajados para encontrarem soluções no mercado para reforçarem as suas posições de capital. Mas se não conseguirem, os fundos públicos estão disponíveis", afirmou o governador do Banco de Portugal, garantindo que "não há riscos de falhar nenhum objetivo".
Os bancos têm de ter fechado o exercício de 2011 com um rácio de capital `core tier 1` (capital sobre ativos ponderados pelo risco) de 9 por cento, o qual tem de ser reforçado para 10 por cento até final deste ano. Em 2008, segundo Carlos Costa, a média deste rácio era de 6,8 por cento no sistema bancário.
No entretanto, até final de junho, os bancos têm também de apresentar este rácio nos 9 por cento, mas aqui cumprindo as exigências da Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês), como a avaliação, a preços de mercado, da dívida soberana detida a 30 de setembro de 2011. Para o cumprimento desta meta vão entrar ainda outros fatores, como o impacto em capital da transferência dos fundos de pensões.
O governador disse ainda que os bancos também estão a cumprir o seu esforço de desalavancagem de modo a atingirem outra exigência da `troika`, um rácio de transformação de depósitos em crédito de 120 por cento em 2014.
O responsável deu ainda o exemplo da utilização de liquidez do Banco Central Europeu pelos bancos portugueses, que "estabilizou enquanto o de outros países aumentou", para afirmar que isso "significa que estes aumentaram o controlo da liquidez".
Liquidez que o governador quer direcionar para as pequenas e médias empresas, o que até agora não tem sido possível, com os bancos portugueses a substituírem os bancos estrangeiros em empréstimos às grandes empresas e ao setor público, afirmou.
Carlos Costa disse ainda que os bancos têm nestes novos tempos de fazer uma "melhor utilização dos recursos" e, se possível, de "encontrar investidores estratégicos com acesso aos mercados financeiros".
IM/DN
Lusa/Fim