"Não nos assustemos". Montenegro minimiza crescimento da dívida pública

"Não nos assustemos". Montenegro minimiza crescimento da dívida pública

A dívida pública na ótica de Maastricht, aquela que conta para Bruxelas, ascendeu, no segundo trimestre do ano, a 92,9 por cento do Produto Interno Bruto, de acordo com os últimos números do Banco de Portugal.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
"Digo com toda a tranquilidade que não têm rigorosamente importância nenhuma" | Tiago Petinga - Lusa

“Não têm rigorosamente importância nenhuma na trajetória de diminuição”. O primeiro-ministro interpretou assim, esta terça-feira, os últimos dados do Banco de Portugal sobre a evolução da dívida pública. O peso desta sobre o PIB agravou-se em 1,9 pontos percentuais no segundo trimestre do ano. Mas Luís Montenegro acredita que, no cair do pano sobre 2026, os resultados acabarão por “surpreender”.

“Não nos assustemos com os números da dívida. Digo com toda a tranquilidade que não têm rigorosamente importância nenhuma na trajetória de diminuição da nossa dívida pública face ao nosso Produto Interno Bruto”, quis garantir o chefe do Governo de PSD e CDS-PP, ao intervir na inauguração da primeira Unidade de Saúde Familiar Modelo C - com gestão privada - do país, em São Pedro da Cadeira, Torres Vedras.

“Quando chegarmos ao fim do ano voltaremos nesse domínio, como no crescimento da economia, como no saldo orçamental, a surpreender muitos daqueles que cá estão ou nos veem de fora com os nossos resultados”, acentuou.
Na segunda-feira, após serem conhecidos os números do Banco de Portugal, o Ministério das Finanças justificara já o agravamento do rácio da dívida sobre o PIB com “um largo montante de depósitos das Administrações Públicas”, que foi “acumulado” para o “cumprimento do plano de amortizações do país”.O Executivo preserva, por agora, a previsão de redução da dívida pública para 2026 remetida a Bruxelas: 87,5 por cento.

Nos primeiros três meses de 2026, o rácio da dívida pública sobre o PIB era de 91 por cento. Em junho, a dívida do Estado cifrava-se em 293,9 mil milhões de euros, num acréscimo de 5,2 mil milhões de euros face a maio.

O comportamento da dívida pública, indicou o banco central, “refletiu o incremento das responsabilidades em depósitos (+0,5 mil milhões de euros), sobretudo em certificados de aforro (+0,6 mil milhões de euros), e dos títulos de dívida (+4,7 mil milhões de euros), principalmente de longo prazo”.

Os ativos em depósitos das Administrações Públicas somaram, assim, 31,4 mil milhões de euros, mais 6,6 mil milhões do que em maio: “Deduzida desses depósitos, a dívida pública diminuiu 1,3 mil milhões de euros, para 262,5 mil milhões de euros”.
"Um largo montante de depósitos"

Em comunicado, as Finanças vieram precisamente explicar o agravamento com a acumulação de depósitos associada ao plano de amortizações.

O gabinete de Joaquim Miranda Sarmento salientou, tal como o Banco de Portugal, que, “deduzindo os depósitos das Administrações Públicas, a dívida pública reduziu-se 1,3 mil milhões para 262,5 mil milhões de euros, correspondendo a cerca de 83 por cento do PIB”.Em 2025, o rácio da dívida pública sobre o PIB foi de 89,7 por cento, ficando pela primeira vez em 16 anos aquém dos 90 por cento.


“A análise da evolução da dívida pública, neste período, implica compreender que foi acumulado um largo montante de depósitos das Administrações Públicas, necessário ao cumprimento do plano de amortizações do país”, sustentaram as Finanças.

Os dados “apontam ainda para um aumento de 5,2 mil milhões de euros, em concreto uma subida de 500 milhões das responsabilidades em depósitos, sobretudo em Certificados de Aforro (600 milhões de euros), e dos títulos de dívida (4,7 mil milhões de euros), principalmente de longo prazo”.

O Governo recordou também que, em julho, o país reembolsou cerca de dez mil milhões de euros de uma linha de obrigações de Tesouro a vencer.

c/ Lusa
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