Nelson Mandela defende libertação dos "escravos" da pobreza
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela defendeu hoje em Londres a libertação dos "escravos" da pobreza, insistindo que tratando-se de obra do homem, pode ser erradicada pela acção humana.
"Neste novo século, milhões de pessoas dos países mais pobres do mundo continuam presas, escravizadas e acorrentadas. Chegou a altura de as libertar", afirmou Nelson Mandela em Trafalgar Square, no centro de Londres, onde decorre sexta-feira à noite e sábado a reunião dos ministros das Finanças do grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7).
"Tal como a escravatura e o apartheid, a pobreza não é natural. É obra do homem e pode ser erradicada pelas acções dos seres humanos", acrescentou o antigo presidente sul-africano perante milhares de pessoas.
Os países desenvolvidos sabem o que é preciso fazer para combater esta crise, mas não estão a cumprir com as suas promessas, referiu ainda Mandela, prémio Nobel da Paz 1993, galardão que conquistou juntamente com o presidente sul-africano de então, Frederik De Klerk.
"O primeiro passo é assegurar um comércio justo para possibilitar o desenvolvimento dos países. O segundo é o fim das dívidas (externas) para as nações mais pobres. O terceiro é disponibilizar mais ajuda e garantir que essa seja de alta qualidade", disse ex-presidente sul-africano.
Nelson Mandela, 86 anos, deslocou-se a Londres, para participar numa campanha contra a pobreza lançada pelo grupo de organizações humanitárias Make Poverty History, com sede na capital britânica.
O ex-presidente sul-africano aproveitou a sua deslocação para se reunir, quarta-feira, com o ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, tendo abordado o novo plano inglês de apoio ao desenvolvimento de África, que passa pelo cancelamento da dívida dos países africanos ao Reino Unido.
Gordon Brown garantiu no mês de Janeiro, durante um périplo na África Austral, que o governo britânico iria tentar convencer os seus parceiros do G-7 e da União Europeia a seguirem o seu exemplo.
Nelson Mandela deverá encontrar-se ainda hoje, ao final da tarde, com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.