Nem dez por cento da população chinesa pertence à classe média
O governo chinês considera que apenas 6,15 por cento da população chinesa de 1,3 mil milhões de habitantes pertence à "classe média", segundo um estudo oficial que a imprensa estatal da China hoje divulgou.
Apesar de pouco numerosa em termos relativos, a classe média chinesa aumentou quase 15 milhões nos últimos dois anos, sendo agora de 80 milhões de pessoas, de acordo com uma investigação do Departamento de Pesquisa do Conselho de Estado chinês, o conselho de ministros do país.
O jornal financeiro oficial Shanghai Securities News, que divulgou o estudo, informa que os cálculos governamentais tiveram como base os critérios estabelecidos pelo Departamento Nacional das Estatísticas (DNE), que definem os membros da classe média como aqueles com um rendimento entre 7.792 dólares e 65.790 dólares (5.801 e 48.989 euros) por ano.
Uma pesquisa que a DNE divulgou em Janeiro de 2005 concluía que cerca de 5,04 por cento dos chineses, ou 65,5 milhões de pessoas, pertenciam à classe média.
"A expansão da classe média demonstra que a China entrou num processo saudável de desenvolvimento", disse ao Shanghai Securities News, Shi Jianping, vice-presidente da Universidade das Finanças e Economia da China.
Até Janeiro de 2007, a China tinha ainda 23,65 milhões de pessoas abaixo do limiar de pobreza, que Pequim considera ser rendimentos inferiores a 85 dólares (63,2 euros) por ano, muito inferior aos rendimentos de 360 dólares por ano que constitui a definição internacional de limiar de pobreza.
Segundo o Departamento de Redução de Pobreza do governo chinês, caso se utilize a definição internacional, a China terá entre 120 e 130 milhões de pessoas abaixo do limiar de pobreza.
O mesmo departamento governamental concluiu que pelo menos 100 milhões de pessoas na China vivem na pobreza sem qualquer apoio social devido à discrepância estatística na contabilidade do número de pobres.
Apesar da expansão económica chinesa das últimas três décadas, a uma média anual de 9,7 por cento, ter permitido o maior processo de redução de pobreza na história da humanidade, milhões de cidadãos, em especial nas zonas rurais, estão ainda excluídos do crescimento económico.
No final do ano passado, 23,65 milhões de chineses não tinham casa, nem suficiente comida para se alimentar ou roupa para se abrigar, segundo informações do jornal oficial chinês China Daily, que cita dados governamentais.
A China é, a seguir à Índia, o país do mundo com o segundo maior número de pobres.