Novas encomendas disparam atividade económica em Moçambique em outubro
A atividade económica do setor privado moçambicano acelerou em outubro para o nível mais elevado em quatro anos e meio, impulsionada pelo crescimento mais forte das novas encomendas em mais de cinco anos, segundo o índice PMI.
As condições das empresas moçambicanas melhoraram pelo quarto mês consecutivo, com o índice PMI (Purchasing Managers` Index) do Standard Bank Moçambique a subir de 50,2 pontos em setembro para 52,7 pontos em outubro, o valor mais elevado desde abril de 2022.
Indicadores acima de 50 pontos apontam para uma melhoria das condições empresariais face ao mês anterior, enquanto valores inferiores indicam deterioração.
O estudo identifica que a produção voltou a crescer "num contexto de aumento mais acentuado das novas encomendas desde junho de 2021", que a atividade de aquisição aumentou "ao ritmo mais rápido na história do inquérito" e que a inflação dos preços de aquisição atingiu "o nível mais elevado em quase quatro anos e meio".
As expectativas empresariais mantiveram-se próximas do máximo de quase nove anos alcançado em setembro, com 77% das empresas a preverem aumento da produção nos próximos 12 meses e apenas 1% a antecipar uma redução.
Segundo o Standard Bank, o sentimento positivo refletiu expectativas de "expansão empresarial, investimento em tecnologia e equipamento, aquisição de `stocks` e aumento da quota de mercado".
Acrescenta que o setor privado recebeu "um novo impulso" em outubro, sustentado pelo crescimento das novas encomendas, "impulsionando a atividade empresarial de volta ao crescimento".
As empresas atribuíram o aumento das vendas à conquista de novos clientes, ao lançamento de novos produtos e ao reforço da presença no mercado. Pela primeira vez em mais de dois anos, os cinco setores abrangidos pelo inquérito registaram crescimento das novas encomendas, e a construção liderou o crescimento das novas encomendas, num contexto em que a expansão foi transversal aos vários setores analisados.
A atividade de compra de meios de produção registou o crescimento mais forte desde o arranque da série estatística, em março de 2015, refletindo o reforço dos `stocks` perante a expectativa de uma procura mais elevada. Segundo o relatório, as empresas aumentaram as compras "num esforço para reconstituir inventários e preparar-se para níveis mais elevados de atividade".
Apesar da retoma da atividade, o emprego voltou a recuar, pela terceira vez em quatro meses, ainda que apenas marginalmente. O relatório refere que algumas empresas continuaram a enfrentar "limitações de viabilidade financeira", o que restringiu novas contratações.
O estudo indica igualmente que as encomendas em atraso aumentaram pela primeira vez em quatro meses, sinalizando maior pressão sobre a capacidade operacional das empresas.
Os custos dos fatores de produção continuaram a aumentar em outubro, ao ritmo mais elevado desde meados de 2022. As empresas associaram esse agravamento ao aumento dos custos com "combustíveis, transportes, importações e encomendas de maior dimensão".
As empresas inquiridas apontaram ainda o reforço da capacidade produtiva, a diversificação da oferta de produtos, a abertura de novas unidades de negócio e a entrada em novos mercados como fatores de suporte ao crescimento previsto para os próximos meses.
Citado no relatório, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, afirmou que a forte subida do índice reflete o crescimento das novas encomendas, a recuperação da produção e a aceleração das aquisições de fatores de produção.
Segundo o economista, "a procura agregada deverá continuar a ser impulsionada pelos progressos observados nos projetos" de gás natural, contribuindo para sustentar a confiança empresarial nos próximos 12 meses.
Contudo, Mussá advertiu que persistem riscos associados à "limitada margem fiscal do Governo, aos constrangimentos no acesso ao financiamento, aos desequilíbrios entre a procura e a oferta de divisas e às restrições de crédito fora do setor dos recursos naturais".