Novo aumento do preço dos combustíveis em Angola, o terceiro em nove meses

Os automobilistas angolanos foram hoje de manhã surpreendidos com um novo aumento do preço da gasolina e do gasóleo, o terceiro decidido pelo governo nos últimos nove meses, que também abrangeu outros derivados do petróleo.

Agência LUSA /

O litro de gasolina passou de 34 para 37,82 cuanzas (0,33 euros), enquanto o gasóleo aumentou de 25 para 27,81 cuanzas (0,24 euros) o litro.

A nova tabela de preços abrange também, entre outros derivados do petróleo, o gás de cozinha, passando a garrafa de 12 quilos de 378 para 420,48 cuanzas (3,75 euros), e o petróleo iluminante, que subiu de 22 para 24,47 cuanzas (0,21 euros) o litro.

O aumento que hoje entrou em vigor, de cerca de 10 por cento em média, foi bastante mais ligeiro do que o anterior, ocorrido em meados de Novembro, quando os combustíveis registaram uma subida de cerca de 70 por cento.

Este foi o terceiro aumento dos combustíveis registado em Angola desde Maio de 2004, altura em que o governo angolano justificou a subida dos preços com a necessidade de reduzir os subsídios que concede aos produtos petrolíferos, que ascendem a mais de 600 milhões de dólares por ano.

Apesar do comunicado emitido pela Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (SONANGOL) nada adiantar a esse respeito, esta deve ser também a justificação para o aumento hoje concretizado, já que a redução do peso daqueles subsídios é uma das principais recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI), instituição com quem o governo angolano pretende assinar um programa monitorado.

A redução dos subsídios aos produtos petrolíferos é uma das medidas que consta do Orçamento Geral do Estado para 2005 aprovado pelo parlamento angolano, segundo o qual as despesas com subsídios apresentam uma redução substancial, passando de 4,5 para 1,1 do Produto Interno Bruto (PIB).

Os últimos dados oficiais referem que o consumo de gasolina em Angola aumentou de 11 milhões de litros por mês para 26 milhões, enquanto o consumo de gasóleo passou de 45 milhões de litros mensais para 65 milhões.

Angola, que é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana e produz actualmente mais de um milhão de barris por dia, importa anualmente mais de 200 mil toneladas de derivados de petróleo.

Esta situação resulta de o país apenas possuir uma refinaria, que tem capacidade para tratar 40 mil barris diários, o que é manifestamente insuficiente para as necessidades actuais.

O problema poderá ser minorado com a entrada em funcionamento da futura refinaria do Lobito, que terá capacidade para tratar 200 mil barris de petróleo por dia.

O início da construção desta refinaria, cujo projecto foi apresentado em meados de 2001, tem vindo a ser sucessivamente adiado, admitindo agora as autoridades angolanas do sector que as obras poderão começar nos próximos meses.

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