Novo Banco vai fechar mais 73 agências este ano

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Quando todos estes encerramentos forem concretizados, face aos 631 balcões que o Novo Banco tinha no final de 2014, significa que o Novo Banco fechou cerca de 40 por cento da rede comercial em apenas quatro anos
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A meta já estava negociada com Bruxelas e era para ser cumprida até 2021, mas acabou por ser antecipada. O Novo Banco quer fechar 73 agências ainda este ano, para além da saída de mais de 400 trabalhadores através de rescisões por mútuo acordo ou reformas antecipadas.

Na informação da Comissão de Trabalhadores aos funcionários do Novo Banco, a que a Lusa teve acesso, esta estrutura informou que teve uma reunião com a administração do banco em que foi dito que serão antecipadas "quase por completo as metas a atingir até 2021 para o final do primeiro semestre de 2018", isto tanto em termos de saídas de pessoal como de reduções de agências.

Quando todos estes encerramentos forem concretizados, face aos 631 balcões que o Novo Banco tinha no final de 2014, significa que o Novo Banco fechou cerca de 40 por cento da rede comercial em apenas quatro anos.

O Novo Banco tinha no final de 2017, 473 balcões, pelo que o objetivo é cumprir já este ano o compromisso com Bruxelas de reduzir a rede a 400 balcões. Quanto à saída de mais de 400 trabalhadores, que já era conhecida, o Novo Banco já provisionou 134 milhões de euros para esse processo.

Na sexta-feira terminou o prazo para os funcionários se candidatarem às rescisões por mútuo acordo, não havendo ainda informação de quantos se mostraram disponíveis para sair por contrapartidas financeiras. Este processo deverá ficar decidido em maio.

Relativamente a reformas antecipadas, já terminou o prazo para se candidatarem os trabalhadores da rede comercial, abrindo agora o período para os funcionários dos serviços centrais.
Estratégia com "perdas relevantes"
No mesmo comunicado aos funcionários do Novo Banco, a Comissão de Trabalhadores diz não compreender "o racional de um desenfreado ímpeto em reduzir o número de trabalhadores e balcões" e de externalização de serviços, considerando que essa estratégia tem "perdas relevantes de qualidade de serviço que mais tarde impactarão negativamente nos resultados", já que decorrente disso considera que o banco irá perder clientes e quota de mercado.

Recorde-se que em outubro do ano passado, o Novo Banco - instituição que ficou com ativos do ex-BES, alvo de medida de resolução em 3 de agosto de 2014 - foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star em 75 por cento, ficando o Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos) com os restantes 25 por cento.

A Lone star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar mil milhões de euros no Novo Banco, o que já fez.

Para aprovar a venda do Novo Banco, a Comissão Europeia exigiu um novo plano de reestruturação com implicações na dimensão da sua atividade, através de venda ou fecho de operações, assim como redução da sua estrutura e número de trabalhadores.

Em 2017, o Novo Banco teve prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros, num ano em que constituiu mais de dois mil milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).
Estado irá emprestar 450 milhões de euros
Na sequência deste nível elevado de perdas, o Novo Banco ativou o mecanismo de capital contingente negociado com o Estado português, pedindo que o Fundo de Resolução o capitalize num montante de 791,7 milhões de euros.

Uma vez que o Fundo de Resolução não tem todo esse valor, o Estado irá emprestar cerca de 450 milhões de euros ao fundo para capitalizar o Novo Banco.

O ministro das Finanças disse na passada sexta-feira, ao apresentar o Programa de Estabilidade, que esse valor, "neste momento, não é completamente conhecido, mas que andará próximo dos 450 milhões de euros".


Sendo o Fundo de Resolução uma entidade da esfera pública (ainda que beneficie das contribuições dos bancos do sistema, entre os quais o público Caixa Geral de Depósitos), o montante total que este injetar no Novo Banco contará para o défice.

Mário Centeno já tinha explicado na sexta-feira aos jornalistas que a meta do défice deste ano já inclui a capitalização do banco. "O défice previsto (0,7% do PIB) inclui a injeção de capital que o Fundo de Resolução poderá ter de fazer no Novo Banco", disse Mário Centeno em conferência de imprensa.O Governo espera ainda gastar este ano 145 milhões de euros com as indemnizações a pagar aos clientes lesados pelo papel comercial, segundo o Programa de Estabilidade conhecido na sexta-feira.

Este valor corresponde à primeira parcela das compensações a pagar aos lesados do papel comercial que aderirem ao fundo de recuperação dos créditos, criado para os compensar pelas perdas sofridas aquando da queda do banco e do Grupo Espírito Santo (GES), no verão de 2014.

Em janeiro deste ano, o Governo já tinha publicado em Diário da República a autorização para pagar até 145.116.000 de euros a estes lesados, valor correspondente à primeira parte das indemnizações. Em 2 de março aprovou a concessão de mais 155 milhões de euros para o restante montante das indemnizações, valor que se prevê que não seja pago este ano.

No verão de 2014, após a queda do BES, dois mil clientes clientes vieram reclamar 433 milhões de euros que investiram na aquisição de papel comercial emitido pelas empresas Espírito Santo International e pela Rioforte, que pertenciam ao GES, vendido aos balcões do BES.

Há uma semana mais de metade dos lesados do papel comercial do BES já tinham aderido ao fundo que lhes permitirá recuperar parte das perdas. A informação foi dada pela sociedade que gere o fundo de recuperação de créditos. Mas, entre os lesados, há quem já tenha decidido que não vai assinar um contrato que não garante o pagamento total do dinheiro.

A solução encontrada no final de 2016 (entre a associação de lesados AIEPC, Governo, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Banco de Portugal, BES 'mau' e Novo Banco) propõe que os lesados recuperem 75 por cento do valor investido, num máximo de 250 mil euros, isto se tiverem aplicações até 500 mil euros. Já acima desse valor, irão recuperar 50 por cento.

Em troca de receberem as indemnizações, os lesados têm de passar para o fundo os créditos que têm sobre o BES e entidades relacionadas com o banco, de modo a que seja este a litigar em tribunal contra o banco pelos danos causados.

Caso os tribunais decidam em favor dos lesados, será o fundo de recuperação de créditos a receber as indemnizações.

c/ Lusa

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