"O custo da riqueza extrema". 205 multimilionários pedem para ser taxados

"Taxem os ultra-ricos, taxem-nos". Um grupo de 205 multimilionários pediu esta quarta-feira aos líderes e empresários reunidos no Fórum Económico Mundial, em Davos, para que lhes seja aplicado um imposto sobre a riqueza. Em carta aberta explicam que querem ajudar a combater as desigualdades no mundo. Entre os signatários estão a herdeira da Disney, Abigail Disney, e o ator Mark Ruffalo.

Carla Quirino - RTP /
Twitter @MarkRuffalo

Foi enviada um carta para o Fórum Económico Mundial, intitulada “o custo da riqueza extrema ”, onde 205 milionários de 13 países, expressam a vontade dos ricos em ajudarem a enfrentar a “extrema desigualdade no planeta.

Propõem que os governos de todo o mundo lhes apliquem um imposto sobre a própria riqueza: “taxem os ultra-ricos, taxem-nos imediatamente”.
Patrióticos milionários
Personalidades como Abigail Disney e Mark Ruffalo, que dá vida à personagem Hulk da Marvel, dirigem-se aos líderes mundiais e empresários, afirmando que “a atual falta de ação é gravemente preocupante. Uma reunião da elite global em Davos para discutir cooperação num mundo fragmentado é inútil se não se está resolver a raiz da desigualdade”.

“Defender a democracia e construir a cooperação requer ação para desenvolver economias mais justas de imediato – não é um problema que possa ser deixado para nossos filhos resolverem”, acrescentam.

“Agora é a hora de enfrentar a riqueza extrema, agora é a hora de tributar os ultra-ricos”, exortam.

De acordo com os signatários multimilionários, “a história das últimas cinco décadas é uma história de riqueza fluindo para lugar nenhum, mas para cima. Nos últimos anos, essa tendência acelerou muito”.

Marlene Engelhorn de 30 anos,  herdeira multimilionária da multinacional BASF, reiterou que “o mundo inteiro – economistas e milionários – pode ver a solução que está diante de todos nós: vocês, os nossos representantes globais, devem tributar-nos, a nós, os ultra-ricos, e devem começar agora”.

O grupo dos 205 descrevem-se como “patrióticos milionários” e alertaram que a inação pode levar a uma catástrofe: “Há um limite para a perturbação que qualquer sociedade pode suportar”.

“Quanto tempo mais as mães e os pais resistem ver os filhos passarem fome enquanto os ultra-ricos contemplam a sua crescente riqueza. O custo da ação é muito mais barato do que o custo da inação – é hora de começar o trabalho”.

Engelhorn afirma que, “se nos preocupamos com a segurança da democracia, com nossas comunidades e nosso planeta, temos que fazer isso. E, no entanto, os nossos decisores não têm coragem ou não sentem a necessidade de ouvir todas essas vozes. Isso levanta a questão: O que ou quem os está a impedir?”.

A carta dos milionários vai ao encontro de estudos económicos pós pandemia recuperados pela Oxfam, organização não-governamental que se dedica à assistência humanitária e ao desenvolvimento.

Na análise económica mundial, a Oxfam afirma que, pela primeira vez num quarto de século, a riqueza extrema aumentou a par da pobreza extrema.

Para conter o aumento dos extremos, a Oxfam propôs um imposto de até cinco por cento sobre os multimilionários do mundo, que poderia arrecadar pelo menos 1,7 milhões de milhões de dólares por ano, valor suficiente para tirar dois mil milhões de pessoas da pobreza e financiar um plano global para acabar com a fome.
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