Obama reforçou embargo mas, para Cuba, a sua eleição seria "mal menor"
Lisboa, 30 out (Lusa) -- Barack Obama manteve e até intensificou o embargo dos EUA a Cuba, mas a sua eleição "seria um mal menor" para aquele país face ao discurso mais agressivo dos republicanos, considerou hoje o embaixador cubano em Lisboa.
"Se haveria mudanças (na política norte-americana em relação a Cuba), não sei. Se (Obama) aplicasse o que prometeu na campanha de 2008 seria um grande avanço, não só para Cuba como para todo o mundo", disse Eduardo González Lerner em resposta a uma pergunta sobre as eleições de 06 de novembro próximo nos Estados Unidos.
Segundo o diplomata, que falava à imprensa a propósito do embargo norte-americano, Obama chegou a oferecer, em 2008, "um diálogo" a Cuba, mas nunca o concretizou.
Cuba, afirmou o embaixador, estava, como está, "completamente aberta a um diálogo de igual para igual", "de país soberano para país soberano".
Por outro lado, havendo interesse, "há uma série de medidas que o Presidente (norte-americano) tem competência para mudar sem necessitar da aprovação do Congresso", uma vez que a aplicação do embargo decorre de uma série de leis.
"A primeira medida que o presidente pode decidir é permitir aos cidadãos norte-americanos visitarem Cuba", algo que atualmente só podem fazer "mediante uma autorização especial", medida que teria "grande impacto" económico.
A Assembleia-Geral da ONU vai votar, a 13 de novembro, um relatório do Governo cubano sobre o impacto do embargo económico, comercial e financeiro imposto à ilha pelos Estados Unidos desde 1959.
Entre 1959 e 2011, segundo o relatório, os prejuízos económicos provocados a Cuba pelo embargo ascenderam a 1,066 biliões de dólares, afetando quase todos os setores e gerando conflitos comerciais com países terceiros.
Entre vários exemplos, o embaixador citou o caso de um cidadão dinamarquês a quem o governo norte-americano congelou 137 mil coroas dinamarquesas (18,3 mil euros ao câmbio atual) pela compra de charutos cubanos na Alemanha.
Sobre a aplicação extraterritorial do embargo, o embaixador frisou que ela afeta não apenas Cuba como outros países, ao prever sanções a empresas estrangeiras que tenham vínculos comerciais com Cuba, proibir a exportação para os Estados Unidos de produtos de origem cubana e a venda a Cuba de produtos que tenham mais de 10 por cento de componentes norte-americanos.
"Cuba só pode comprar aviões à Rússia, (...) porque todos os outros têm componentes norte-americanos. O mesmo noutros transportes. Só podemos comprar autocarros à China ou à Ucrânia", disse González Lerner.
O embargo, defendeu, "é uma medida unilateral e ilegal", com "um preço muito alto" para os cubanos que, apesar dos "sacrifícios muito grandes", mantêm "a determinação de resistir", disse.