Obras da coleção de arte António Homem-Sonnabend vão a leilão por mais de 46 ME

Obras da coleção de arte António Homem-Sonnabend vão a leilão por mais de 46 ME

Obras icónicas da coleção de arte contemporânea de António Homem-Sonnabend, incluindo pinturas de Roy Lichtenstein e Andy Warhol, vão a leilão em novembro, em Nova Iorque, numa série de vendas estimada em mais de 46 milhões de euros.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
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A Christie`s está a apresentar parte da coleção em várias sessões, desde outubro, com obras de artistas fundamentais da arte do pós-guerra e contemporânea, em gravura, fotografia, múltiplos e peças de `design`, estando previstas vendas adicionais até 2027, de acordo com a leiloeira.

Entre os destaques do leilão de 19 de novembro, integrado na venda de Arte do Século XXI, está "Large Spool", pintura de Roy Lichtenstein (1923-1997), datada de 1963, cuja estimativa de venda se situa entre 10 milhões e 15 milhões de dólares, cerca de 9,2 milhões a 13,8 milhões de euros, e a pintura de Andy Warhol, "Campbell`s Soup Can (Turkey Noodle)" (1962), com uma estimativa entre quatro milhões e seis milhões de dólares, o equivalente a cerca de 3,7 milhões a 5,5 milhões de euros.

As receitas da venda destas duas pinturas, pertencentes à Sonnabend Collection Foundation, destinam-se a financiar a fundação e a reforçar a sua capacidade de prosseguir a missão de preservação e divulgação da coleção, segundo a Christie´s.

Entre as restantes obras destacadas pela leiloeira encontram-se "Hulk (Friends)", escultura de Jeff Koons, realizada entre 2004 e 2012, estimada entre 3,5 milhões e 5,5 milhões de dólares, cerca de 3,2 milhões a 5,1 milhões de euros, e "Numbers", pintura de Jasper Johns, de 1957, cujo valor estimado se situa entre dois milhões e três milhões de dólares, aproximadamente 1,8 milhões a 2,8 milhões de euros.

O conjunto integra ainda obras de artistas como Robert Rauschenberg, Bruce Nauman e Anselm Kiefer, representativos de diferentes correntes artísticas que marcaram a segunda metade do século XX.

A estimativa global superior a 50 milhões de dólares, cerca de 46 milhões de euros, abrange o conjunto de obras que a Christie`s prevê dispersar em várias vendas, iniciadas em outubro, em Londres, e que se prolongaram por Nova Iorque e Paris.

Filho adotivo dos galeristas norte-americanos de origem romena e polaca Ileana e Michael Sonnabend, o galerista e colecionador português António Homem - que morreu em Nova Iorque, em março, aos 86 anos - acompanhou durante décadas a atividade da galeria fundada pela família, e contribuiu para a preservação de uma coleção que reúne obras consideradas fundamentais da arte europeia e norte-americana do pós-guerra.

Através dos espaços que manteve em Paris e Nova Iorque, a Galeria Sonnabend desempenhou um papel relevante, segundo os especialistas, na apresentação da arte norte-americana na Europa e na divulgação de artistas europeus nos Estados Unidos, promovendo o contacto entre movimentos como a Pop Art, a Arte Povera, o Minimalismo e a Arte Conceptual.

Nascido em Lisboa, António Homem cresceu numa família de advogados e foi estudar engenharia para Zurique aos 17 anos, por vontade do pai, mas o interesse pela arte, despertado ainda na infância, levou-o a procurar um percurso profissional ligado à cultura, meio onde conheceu Ileana e Michael Sonnabend, tendo sido adotado pelo casal em 1986, quando decorria o processo de regularização da sua residência nos Estados Unidos, após anos de proximidade e dedicação de grande parte da vida à galeria e à coleção que ajudou a construir.

António Homem manteve também a ligação a Portugal, país onde nasceu, em 1939, e onde apresentou parte da coleção em exposições em Lisboa e no Porto, que deram a conhecer a importância da galeria Sonnabend na história da arte contemporânea.

Em 2015, por ocasião da exposição "Sonnabend. Paris -- New York", no Museu Arpad Szenes -- Vieira da Silva, em Lisboa, que reuniu obras de 15 artistas, entre os quais Warhol, Lichtenstein, Jasper Johns e Robert Rauschenberg, o galerista destacou a importância da chegada da arte norte-americana à Europa nos anos 1960.

"Foi um choque para os europeus verem as obras de artistas norte-americanos", afirmou então à agência Lusa, recordando a receção provocada por essa produção artística e a conquista do Leão de Ouro da Bienal de Veneza por Rauschenberg, em 1964.

Na mesma ocasião, António Homem descreveu a apresentação da coleção em Lisboa como um encontro entre a sua história pessoal e o presente: "Fazer aqui uma exposição em Lisboa acontece num momento em que o meu passado e o presente se unem".

A mostra assinalou os primeiros cinco anos da galeria Sonnabend em Paris, entre 1962 e 1967, período em que vários artistas norte-americanos apresentaram obras na Europa pela primeira vez.

A exposição recebeu 4.574 visitantes no primeiro mês, tornando-se, àquela data, a terceira mais visitada nos vinte anos de história do Museu Vieira da Silva, segundo fonte da fundação.

Construída ao longo de décadas por Ileana e Michael Sonnabend e continuada por António Homem, a coleção reúne pintura, escultura, fotografia, gravura e `design`, refletindo a atividade de uma galeria que acompanhou algumas das principais transformações da arte da segunda metade do século XX.

Jim Dine, Dan Flavin, Mel Bochner, Gilbert & George, Anselm Kiefer, Sol LeWitt, Mario Merz, Vito Acconci, John Baldessari, Bernd e Hilla Becher estão também entre os artistas representados na coleção.

Em novembro de 2025, a Sonnabend Collection Foundation abriu em Mântua, em Itália, o Museu Sonnabend Collection Mantova, instalado no restaurado Palazzo della Ragione, instituição criada em parceria entre a fundação, o município italiano e a Marsilio Arte, para apresentar de forma permanente cerca de uma centena de obras da coleção.

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