Obrigações - rentabilidade europeia deve superar a norte-americana em 2005
A rentabilidade das obrigações de dívida governamental europeia deve ser superior à dos Estados Unidos em 2005, pelo segundo ano consecutivo, segundo com conjunto de gestores de fundos.
"A Europa é o sítio onde os investidores de obrigações devem estar", afirmou o gestor de fundos Philip Laing, da Standard Life Investments, citado pela agência Bloomberg.
As pressões inflacionistas e de crescimento económico estão controladas e longe de poderem vir a ser um problema para o mercado obrigacionista, acrescentou a mesma fonte.
Cenários inflacionistas retiram procura ao mercado obrigacionista porque a inflação apropria-se de uma parte grande do rendimento obtido pela obrigação.
Por outro lado, as economias em crescimento tendem a ter taxas de juro mais elevadas, pelo que os preços das obrigações tendem a cair (o preço varia na relação inversa da taxa de juro).
Nos Estados Unidos, na segunda metade de 2004, assistiu-se já à subida das taxas de juro de referência por parte da Reserva Federal norte-americana, com o objectivo de neutralizar eventuais pressões inflacionistas e tornar a política monetária menos expansionista.
A Zona Euro, por seu lado, tem mantido a taxa de juro de referência inalterada desde Junho de 2003, nos dois por cento, sendo que o preço do dinheiro nos EUA está já mais caro em 0,25 pontos do que nos países da moeda única.
"Os 'bunds' [obrigações do Tesouro alemãs], especialmente os dos 10 e dos 30 anos, estão destinados a superarem o desempenho dos 'Treasuries' [obrigações do Tesouro norte-americano] dada a força do euro" e a fraqueza da economia europeia, disse o gestor de fundos do Pacific Investment Management, Bill Gross, que gere o maior fundo de obrigações do mundo.
A moeda única tem batido sucessivamente novos máximos históricos contra o dólar, fazendo com que os detentores de obrigações em dólares fiquem prejudicados e, favorecendo por isso, a venda desses títulos.
Em 2004, as obrigações de referência dos governos europeus registaram uma rentabilidade de 7,4 por cento, de acordo com um índice do banco de investimento Merrill Lynch, acima da rentabilidade das obrigações norte-americanas, japonesas, canadianas e australianas.
As obrigações britânicas a 10 anos pagaram 5,5 por cento este ano, menos do que os 6,3 por cento as alemãs, mas bem mais do que os 1,9 por cento das norte-americanas, segundo a Merrill Lynch.
Um outro analista da Pacific Investment Management citado pela Bloomberg refere ainda que em 2005 o diferencial entre a rentabilidade das obrigações alemãs e a das norte-americanas deve alargar-se, reflectindo a maior procura relativa que há pelos títulos germânicos.