Ocidental descarta reforço de capital com novas regras de solvabilidade

Lisboa, 12 jan (Lusa) - O grupo segurador Ocidental, detido pelos belgas da Ageas, revelou que não vai pedir aos acionistas a injeção de mais capital de forma a cumprir as novas regras da Solvência II que entraram em vigor a 01 de janeiro deste ano.

Lusa /

Em declarações à agência Lusa, Julian Harvey, administrador financeiro da Ocidental Grupo, disse que a seguradora iniciou o processo de adaptação às novas regras "há já três anos", pelo que "podemos afirmar com segurança que, tendo por base o nosso plano de negócios e perfil de risco, não será necessário nenhum aumento de capital".

No dia 01 de janeiro entrou em vigor a diretiva Solvência II, novas regras que vão revolucionar o setor segurador, e que, entre outras alterações, obrigam as seguradoras a calcular o capital necessário para fazer frente aos seus compromissos futuros, o que poderá, em alguns casos, originar a necessidade de injeção de capital.

O responsável financeiro do grupo segurador acrescenta que a companhia "está bem preparada", até porque essa preparação foi iniciada "em 2009", pelo que no primeiro dia do ano atingiu "cerca de 200% de solvabilidade sem considerar medidas de transição relativas a provisões técnicas".

Para Julian Harvey, o ter começado cedo a preparação permitiu à Ocidental "afinar a estratégia e superar as exigências regulamentares de capital".

Nas novas regras de Solvência II, faz parte dos requisitos a elaboração anual de um relatório de autoavaliação do risco e da solvência projetado a três anos e, segundo o administrador, a Ocidental "iniciou esse processo há três anos".

Assim, Julian Harvey frisa que toda a preparação efetuada pela Ocidental "permite que o negócio esteja muito bem capitalizado, e o impacto resultante do novo regime em termos de provisões técnicas, em particular no ramo Vida e no ramo Acidentes de Trabalho, esteja perfeitamente salvaguardado".

Aliás, o administrador financeiro frisa que a Ocidental "está confortável com os rácios de solvabilidade que atingiu, exemplo disso é o facto de termos capacidade de absorver a totalidade do impacto resultante dos novos critérios de avaliação das provisões técnicas, apesar do novo regime permitir uma transição gradual durante 16 anos".

Julian Harvey acredita que "o novo regime irá permitir aumentar o nível de transparência no mercado", o que dará oportunidades para "acelerar as ambições de crescimento e de rentabilidade da Ocidental".

Sobre a questão de alterações dos produtos de seguros, o responsável refere que a seguradora tem vindo a adequá-los às novas exigências, até porque "cada produto requer uma avaliação muito fina do seu impacto em termos de absorção de capital, bem como do seu retorno".

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