OE2027. Bastonário da Ordem dos Médicos critica proposta contraditória e de retrocesso

OE2027. Bastonário da Ordem dos Médicos critica proposta contraditória e de retrocesso

A saúde sofre o primeiro corte desde a troika com a proposta do Orçamento do Estado para 2027, apresentado na última quinta-feira. Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, pede esclarecimentos ao Governo sobre aquilo que caracteriza como um "orçamento travão".

Nicole Russo - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Rodrigo Lobo - RTP

Das contas do Governo para o setor, destaca-se a descida de 33 por cento no investimento, que levará a atrasos nas operações e nos diagnósticos, como um dos aspetos mais preocupantes, a par do decréscimo em matéria de bens e serviços.

Carlos Cortes aguarda, nesse sentido, futuras explicações do Executivo.

O corte de 1,5 por cento no setor da saúde reflete, para o bastonário da Ordem dos Médicos, o fim do PRR, os fundos europeus para investimento.

“Os doentes não são culpados pelo fim do PRR. (…) Não podemos olhar para o Orçamento somente numa perspetiva contabilística, temos de olhar para as pessoas”, refletiu.

Apesar de um cenário aparentemente desanimador, serão atribuídos mais de 17 mil milhões de euros, um valor mais elevado do que a proposta do último ano.

Para além disso, mais 462 mil utentes verão ser-lhes atribuído um médico de família. Os cuidados continuados recebem mais três mil camas.

A aparente “ambição”, no entanto, é retificada pelo bastonário como uma “contradição”, considerando a descida no investimento, que está, para já, assegurada.

“Este orçamento é um orçamento travão da recuperação do Serviço Nacional da Saúde”, refere, recordando a ideia de que o valor da inflação também tem impacto no setor da saúde.
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