OE2027. Carneiro garante que PS "não estará na origem de qualquer crise política"

OE2027. Carneiro garante que PS "não estará na origem de qualquer crise política"

O secretário-geral do PS confirmou que vai propor a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027, afirmando que o primeiro-ministro "correspondeu às exigências" que fez.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Mariana Soares Ferreira - RTP

Em entrevista à RTP, José Luís Carneiro explica que Luís Montenegro respondeu às suas quatro exigências para o Orçamento do Estado e, por isso, vai propor a abstenção do partido na votação do documento.

Entre as exigências está a garantia de que a revisão da constituição será feita com o PS, a não alteração do regime das pensões, o financiamento para os investimentos pós-PRR que estão por concluir e a resposta aos municípios e famílias afetadas pelas tempestades do início do ano.

“Quando primeiro-ministro assumiu publicamente querer cumprir todos estes compromissos, entendi que devia assumir esta posição de princípio”, disse José Luís Carneiro.

“O PS não estará na origem de qualquer crise política”, declarou.


Apesar da já anunciada abstenção, Carneiro diz que o documento apresentado pelo Governo “tem vários erros” e é “insuficiente” e adianta que o partido vai levar várias propostas para o debate na especialidade, garantindo que “serão sustentáveis do ponto de vista orçamental”.

“Está na hora de fazermos uma revisão do mecanismo de atualização das pensões”, propõe o líder dos socialistas, defendendo a atualização das pensões em função da inflação.

Nesta área das pensões, Carneiro aproveita para tecer críticas ao Chega, afirmando que as propostas apresentadas pelo partido de André Ventura demonstram “uma grande irresponsabilidade”. “Quem é que não gostaria de poder dizer aos pensionistas que lhes quer reduzir a idade das pensões?”, questiona Carneiro, para depois explicar que esta proposta do Chega significaria uma quebra no saldo das pensões superior a 4,5 mil milhões de euros. “O que significava cortar as pensões que estão em pagamento em 12%”, explica.

Carneiro também mantém a proposta de redução do IVA dos produtos alimentares, apesar das várias críticas.
"Situação no MAI é insustentável"
Sobre a crise no Ministério da Administração Interna e as crescentes polémicas a envolver Luís Neves, o secretário-geral do Partido Socialista diz que esta situação é “insustentável” e voltou a afirmar que Luís Neves não tem condições para continuar no cargo.

“Se esta situação de instabilidade se mantiver, não vejo como é que o primeiro-ministro possa tomar uma decisão que não seja a de uma remodelação do Ministério da Administração Interna”, disse.


“Não podemos continuar a viver esta instabilidade permanente num dos mais importantes ministérios”, sublinhou, reiterando que quer ouvir o ex-secretário-geral, Ricardo Carrilho, no Parlamento.

“Os factos relatados são graves e merecem um esclarecimento cabal e eventual apuramento de responsabilidades”, disse Carneiro, afirmando que Luís Montenegro “não se pode esconder”.
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